quarta-feira, 8 de março de 2017

VITÓRIA ( crônica)




       Quem defende que a mulher é sexo frágil  desconhece  a história de Maria. Maria poderia passar despercebida em qualquer lugar, mas isso não acontecia. A sua determinação e a vontade de ser feliz não aceitava o conformismo:  mulher nasceu para sofrer e ter uma vida maria.
               Maria tinha tudo para aumentar as estatísticas de depressiva, revoltada,  mas seguiu o caminho inverso. Mesmo sendo vítima de vários tipos de violências, cresce e decide oferecer ao mundo o melhor de si. Estuda, trabalha e nas horas vagas atua como voluntária em uma creche, como  artista já havia feito várias telas das crianças e com a venda revertia o dinheiro para própria instituição.
              No entanto a vida de Maria estava marcada pelas provações, num desses caminhos ela conhece Tormento, uma pessoa  simpática, comunicativa e logo conquista o coração de Maria. Ela  não  entendia como alguém tão simpático, carregava um apelido tão depreciativo.
             Mesmo com namoro recente, Maria começa sentir na pele os primeiros sinais de como Tormento tinha um temperamento explosivo ao consumir bebida alcoólica. Sem  motivo  o jovem quebra um copo, jogando-o contra a parede do restaurante porque achou que alguém havia tocado. Maria se assusta e envergonhada com a exposição pede para ir para casa e ouve novos gritos e palavrões.
          No dia seguinte a borracha havia sido passada, pois Tormento não se lembrava dos vexames  em público. Até a próxima dose... Maria é surpreendida em casa, dessa vez ela ficou com o braço marcado, Tormento queria arrastá-la a força até a lanchonete para afirmar algo perante aos amigos.  Dias depois, um tapa no rosto. Motivo? Nenhum. Apenas Tormento estava de folga enquanto Maria trabalhava, quando ela volta do trabalho é recebida dessa forma, por achar que ela estava se divertindo.
            Tormento sabia que havia passado dos limites, sempre repetiu “ não fui eu, foi a bebida!” Agredir a namorada para provar uma masculinidade, para quem? Ao curar da ressaca ficou quase duas semanas sem aparecer na casa da jovem. Precisava da “amnésia” para encará-la de novo. Sábado,  olhe o Tormento apertando a campainha da casa de  Maria. Insiste.  Até que...
         _ Pois não, senhor?
         _ Quem é você? Onde está Maria?
         _ Maria? Não conheço nenhuma Maria. Sou a nova moradora... Ah, você deve ser o Tormento... Vitória deixou um bilhete para lhe entregar.
       _ Vitória? Não conheço nenhuma Vitória...
       _ Não conhece? Achei que a conhecia...Você tem amnésia, não? Tudo bem, você não deve conhecê-la mesmo não... Tome, isto lhe pertence.
       Ao abrir o bilhete, Tormento muda de cor:
“ Quando estamos precisando testar nossas forças físicas recorremos a uma academia, buscamos um saco de pancada  ou  levantamento de peso... Gente nasceu para ser feliz, vou em busca da minha felicidade.
                                                                    Adeus”
                           
                                                          Maria VITÓRIA


P s: Até hoje  Tormento vive atormentando a  vida de outras  “marias” já que  vitória não é para quem quer, mas para quem conquista.


                               Elisabeth Amorim/ 2014


       Para todas as MARIAS, feliz Dia Internacional da Mulher ! A VITÓRIA é nossa!


sábado, 4 de março de 2017

Mesmo se a porta se fechar...(poesia)




Quero insistir em caminhar para frente,
Fazer o bem, perdoar os que me ofendem
E me julgam  sem cessar,
Quero acreditar que esse país mudará
Mesmo se a porta de fechar...

Que toda intriga, inveja e dor
Não encontre pouso em meu coração
Pois os sonhos são maiores que os problemas
E a  esperança volte a reinar
Mesmo se a porta se fechar...

Vou continuar insistindo, persistindo, sonhando
Com um mundo mais solidário e menos capitalista
Numa distribuição de renda mais justa
Onde não teremos tantos impostos a pagar
Mesmo se a porta se fechar...

E se chover amanhã
Não vou precisar me esconder
Um  banho de chuva irei tomar
O Sol sempre nascerá
Mesmo se a porta se fechar...


Viva o seu dia intensamente,
Ame, namore, cante, dance
Pule, grite, chore e surpreenda
Até quem tentou  te derrubar.
Mesmo se a sua porta se fechar...

Liga não, corra até  janela e não deixe a felicidade escapar.



                                                                            E.  Amorim

quarta-feira, 1 de março de 2017

E o carnaval baiano... todos juntos, mas não misturados (crônica)

                                      


             Parece mentira, mas o nosso país é um país forte,  apesar dos  problemas enfrentados como a operação  lava-jato que levou muitos ricaços para a cadeia, a corrupção, lavagem de dinheiro, impeachment de presidente entre outras coisinhas que arrasam com a economia, vivemos cinco dias de folia dançando, pulando e cantando atrás do trio elétrico.
            É preciso sonhar! É preciso acreditar! É preciso viver cada ritmo, sentir  o calor que emana da multidão que vai às ruas, avenidas, e de certa forma, esquecer os problemas e desfrutar o momento.   Estamos em crise! Mas nem parece, conseguimos manter status muito bem. Fizemos um belo carnaval.
           Esse ano a propaganda do carnaval baiano girou em torno da folia sem corda,  numa tentativa de aproximar os artistas dos foliões.  Carnaval é uma festa mágica! Consegue fazer uma lavagem cerebral em multidão, que depois do carnaval sem cordas, muitos se tornaram íntimos dos famosos, todos juntos pulando na pipoca. Em cima do trio os artistas milionários e correndo atrás do trio vai o povão. Mas tudo bem, carnaval é assim mesmo, todos juntos, nunca misturados.
           O carnaval acabou, mas ficamos nós com a nossa estrela  Ivete Sangalo que muitos insistem em vê-la como “furação baiano”.  Talvez, até seja mesmo, já que ninguém consegue ficar sem se movimentar diante da presença dessa cantora.  Realmente, o carnaval sem cordas deve ter sido bárbaro, estupendo, lucrativo... para quem? Para uma foliã carioca que disse em rede nacional que o carnaval bom é o da Bahia, e imediatamente, moveram céu e terra para localizá-la e trazê-la para cá, com todas as despesas pagas, claro.  E é bom mesmo, a festa acaba, mas a estrela da festa continua sendo nossa.
          E aqui fiquemos nós, com uma quarta-feira morta,  completamente coberta de cinzas.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

O que entristece a minha mãe...( crônica)




          De repente recebo um vídeo num desses grupos de Whats  App  e a discussão gira em torno da ética, normas de conduta, valores que se perdem diante de uma sociedade egocêntrica que busca a satisfação do “eu”.   No entanto, há sempre pessoas que fazem a diferença. Pessoas que não aceitam viver na mediocridade e fazem o inesperado surpreendendo a todos.  E para discutir tal assunto, o entrevistado foi Mário Sérgio Cortella.  Um show!
         Cortella cita como exemplo de ética a atitude do atleta  espanhol maratonista, Ivan Fernandez Anaya , em 2012, quando percebeu a distração seu adversário queniano  Abel Mutai,   próximo a linha de chegada, dando  condições a ele como segundo colocado, ultrapassá-lo e garantir o primeiro lugar no pódio,  mas  Anaya  não quis vencer aproveitando-se de uma fraqueza do outro, alertou  Mutai e o incentivou a garantir a vitória. Atitude que chamou a atenção do mundo, sendo que para Anaya não poderia ser de outra forma conforme os valores defendidos.
          É tão incomum encontrar pessoas que não atropelam para subir ao pódio que muitos jornalistas deram  mais destaque ao que Anaya fez do que a vitória de Mutai,  no entanto, ao ser entrevistado, novas surpresas.  Vejamos  um fragmento da fala de Anaya que Cortella discutiu :  “ – Se eu ganhasse desse modo, qual seria o mérito da minha vitória? O que eu ia pensar de mim mesmo? (...) Se eu fizesse isso , o que eu ia falar com a minha mãe?”   
          Será que as ações praticadas causam tristezas para as mães de quem as praticam? Como lidamos com as vitórias e as derrotas? Vale tudo para subir ao pódio? Toda vitória tem o sabor de mel?  Cortella foi muito preciso ao  discutir que a mãe é  o ser que teoricamente ninguém quer ferir, magoar, envergonhar, se a ação praticada naturaliza esse sentimento  é por a pessoa que a praticou  “não presta mesmo”.  Claro, muitos riram quando ele falou dessa forma, mas acredito que não era para sorrir, mas para refletir sobre como você, eu, nós conduzimos os nossos passos,  será  que estamos sendo éticos?  Para vencer na vida eu preciso me desumanizar?  Qual será o futuro da humanidade se o “bicho-homem” não parar de atropelar uns aos outros para permanecer no pódio?
           O que entristece a minha mãe... não me convém fazer. O que me desonra, o que agride meus semelhantes, o que me coloca numa condição de um inseto qualquer e tira de mim todo e qualquer sentimento humano, também não me convém praticar.  Eu vou além, eu preciso me amar, respeitar-me profundamente para aprender a respeitar e amar ao próximo. A lição de Anaya  rompe com a linha do tempo, religiões, e ao responder a pergunta de um dos jornalistas com esse questionamento bem reflexivo ele disse o que precisamos ouvir: “ Se eu ganhasse desse modo, qual seria o mérito da minha vitória?”.
          Irmãos, amigos, leitores em  geral,  quais  os méritos das suas vitórias?  O que vocês falam com suas mães?  Ou melhor,  o que falam para si  diante do espelho da vida? Quais lições deixam para seus filhos?  O mundo pode ser gigante, mas se falta ética, ele se encolhe, fecha, reduz... e você também diminui.  E vejo meus pensamentos sobre valores e ética parecidos com os de Anaya, se para subir ao pódio eu preciso atropelar o parceiro da frente, nunca subirei, sabe por quê? Eu também não quero entristecer a minha mãe, meus filhos, meu esposo, meus amigos...  nem o meu espelho.
                         E. Amorim


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Haverá um amanhã...( mensagem)


Por mais que pensemos no agora, no hoje por acreditar que o amanhã não teremos o domínio, no fundo sabemos que o amanhã será o resultado das nossas ações de hoje ou as de ontem.  Um dia é muito pouco, precisamos do amanhã...
Se hoje é o sonho,  a semeadura, amanhã será a concretização, a colheita. E o que colheremos amanhã se não sonharmos hoje?  Haverá um amanhã próspero para quem planta árvores frutíferas, um provérbio que ouvia meus pais falarem  era “ quem semeia ventos , colhe tempestades”.  Eu ficava a meditar: como pode semear ventos?
Na sabedoria dos mais velhos o “semear ventos” nada mais era que viver inutilmente, provocando  confusões por bobagens, semeando a discórdia entre as pessoas, poluindo o ambiente com as pinceladas de maldades e assim por diante. Consequentemente,  o resultado dessas ações negativas, gerarão transtornos, “tempestades” para própria existência.
Acredito que haverá um amanhã de muita luz para nós,  semeadores do bem.  Para alguns de nós, esse amanhã  parece chegar mais cedo, para outros o  amanhã demora mais um pouquinho, mas basta acertarmos o nosso relógio cronológico, com o tempo que Deus determina para agir sobre todas as coisas.  Esse tempo é infalível, não adianta e nem atrasa nenhum minuto.
Por isso, não desista de plantar as suas árvores. Terá momento que você se sentira como se tivesse sozinho, como se ninguém fosse capaz de ouvi-lo o seu grito de socorro. Mesmo que você pense que está no fundo do poço, se  parar de sonhar, nunca chegará a  abertura para que possa sair e nem verá o amanhecer tão lindo especialmente para você.  Às vezes, achamos que o outro poderá fazer muito por nós, mas sempre quem mais poderá  nos ajudar somos nós mesmos. Se você desistir de acreditar que há um lugar melhor do que esse que você está, você se acomodará e deixará de plantar.
Porque a colheita não é  fácil, muitos tentarão te paralisar para que não desfrute dos frutos plantados, mas acredite, confie, persista, siga em frente porque haverá um amanhã...


 E. Amorim

Da minha janela (poesia)


Vejo o céu, rios e mares.
Construções minúsculas
Pontes e viadutos se perdem no olhar
Mas a beleza mais rara
Está em ti, Senhor.
Vejo a tua face.
O teu agir em meu coração.
Sinto tocar-me suavemente,
A minha mão.
Guiando-me,
Sondando-me,
Amando-me plenamente,
 Espetáculo de paisagem
Vejo da minha janela.

( Elisabeth Amorim)


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Que escola você ajuda construir? (mensagem)


Quantos querem uma escola ideal?
E quantos  se perdem na escola real?
Não adianta projetar no outro o que você gostaria que “ele/ ela” fizesse para melhorar a escola que você ajuda a construir. Você de forma negativa ou positiva ajuda na construção da sua escola.  Então não espere que o outro faça a sua parte, sabe por quê?
Haverá frustrações.  O outro irá falhar, a idealização é sua, não dele(a). Os objetivos são diferentes, assim as estratégias de realizações também.
O sonho é teu, amigo.  Pegue-o com carinho, preserve-o,  mantendo vivo,
E arregace as mangas para torná-lo possível. Saia do mundo da fantasia, o momento é agora! O dia é hoje! A bola é sua!
O primeiro, segundo e terceiro passos deverão  partir de você.
Durante a sua caminhada lenta ou apressada, não se preocupe,
Sempre você encontrará pessoas parceiras, outras vão além...
Oferecem a mão ou o ombro para quando os projetos não saírem exatamente como planejou.  Ainda há os que  ficam  no caminho,  como obstáculos dispostos a te fazer parar.  Dê meia volta, busque novos caminhos ou seja  tão duro quanto eles e siga em frente, mesmo tropeçando adiante.  Educação de qualidade exige de cada um a força e a determinação  necessárias  para prosseguir.
Esses tropeços fazem parte da trajetória educacional.  Caímos, levantamos, corremos e às vezes, apenas sentamos à beira do caminho, descanso é necessário para repor as energias e retornar o trajeto. A caminhada não é fácil, quem disse que ensinar é fácil aprendeu muito pouco sobre  educação.
Não tente passar a bola para outro, você é o dono da bola!
E o campo é justamente a sua sala de aula. Lá você encontrará jogadores prontinhos para participarem  do jogo e outros “pernas-de-pau”...  você olha desconfiado na  primeira partida e diz:
- Quem escalou essa criatura para o meu time?  Não sabe nada... Esse vai perder !
Que sentença!  Esquece que o “perna-de-pau”  perdendo, o time  também perde junto. Jogo tem que haver diálogo, cumplicidade, interação. ..
Ah, lá  no campo,  à medida que você está avaliando seus jogadores  você é também avaliado.
E você já parou para refletir sobre quais os critérios que eles usam para julgar a sua competência? Será que o seu diploma terá um peso maior? Será que não tem um  no banco de reserva mais habilidoso que você  te observando e dizendo intimamente:
- De onde saiu essa peça de museu? Esse técnico é enrolão,  não percebeu que o jogo mudou de regras...
É... a bola pode ser sua, mas ela bate na trave e volta. Geralmente, pegando o técnico, o juiz, o massagista  de surpresa.
Quando começamos de fato a refletir sobre as pedagogias lidas,  percebemos  que sem autonomia não há esperança.  E sem a concretização  libertária ficaremos  presos  nas garras da educação bancária. Copiando e esquecendo,  para mais tarde voltarmos as novas cópias.
A escola que ajudo a construir precisa ter a minha cara. Não a caricatura, com todo respeito aos artistas, a caricatura tem como marca a deformação do outro ou de si mesmo, geralmente para despertar o riso.  A escola poderá ser o local do riso,  jamais o objeto do riso, do escárnio. Quero  a cara da determinação, da ousadia, da inovação, da pesquisa, da transformação, da coerência e da fortaleza.
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Construção forte
A escola que ajudo a construir  deixo gravado o meu nome nas  ações desenvolvidas para torná-la melhor, sem nenhuma falácia nem demagogia. Como dona da bola,  quando entro em campo não é para ganhar, mas para  ensinar as regras do jogo, antes de cobrá-las. Vitória é consequência.  Passo valores, como respeito  ao adversário, determinação e persistência  para conquista de dias melhores e muita leitura. E permito que cada um descubra ou crie novas regras e  tente doar o seu melhor, porque eu também tento doar o meu melhor.  Às vezes consigo,  outras vezes as tentativas são frustradas,  as dores e as delícias fazem parte da educação, mas não abro mão da solidez e coerência em tudo que faço. Já perdi  o jogo várias vezes, sem jamais perder o respeito dos jogadores do meu time, isso é algo consolidado.
Porque uma construção sem uma  base sólida, todo vento contrário coloca em risco  o que se construiu.  Como aquelas casinhas dos Três porquinhos construídas  às pressas não resistiram um sopro  mais forte e foram ao chão, exceto a que tinha base firme.
É isso, a escola que ajudo construir precisa ter essa base firme. E tenho certeza absoluta de  que a sua ajuda é fundamental  para sustentação de cada pilar. Não adianta reconstruir castelos na areia, a ventania e  a força das ondas não escolhem a quem atingir. Seus castelos devem ser construídos na rocha, com segurança.   Igualzinho  a educação, se você cair, desanimar e  desistir do jogo,  o seu time  lhe acompanhará derrotado, cabisbaixo e ressentido. E  colocar a responsabilidade no outro, é mais fácil, não?  Educação não há espaço para lamentações, todo  murmurador nada constrói. Perdeu? Não passe  a bola adiante,  comece  hoje mesmo um novo jogo, estude as novas regras.  O campo é todo seu, entre para tentar ganhar ou vá para o banco criticar o time vencedor. Para construção de uma educação de qualidade todos ajudam, sabia? A ação de cada um é questão de escolha.

E. Amorim

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim