domingo, 28 de junho de 2015

Destino (poesia)


Qual o motivo da dor?
Ela vem de mansinho
Invadindo cada cantinho
Como se tivesse um sabor.


De uma alegria perdida...
Uma ferida aberta
Uma doença que não liberta
Uma chama sem vida.


Hora de sair um pouquinho
Encontrar com o  destino
E nos braços do Deus Menino
Receber  o agradável  carinho.


terça-feira, 23 de junho de 2015

O Espelho (mensagem/ reflexão)


*

        Definitivamente todas as repartições públicas deveriam colocar um espelho na entrada. Onde  todos e todas  pudessem  apreciar  a si e aos outros.  Já pensou se cada um de nós parássemos  diante de um espelho por um minuto a mais diariamente para enxergar não apenas o reflexo  visível,  mas o que está por trás da imagem?
        O espelho é um objeto mágico. Ele consegue fazer com que paremos  para tentar arrancar aquele único fio de cabelo branco praticamente oculto,  invisível aos olhos alheios,  não o suficiente escondido para ele.  As rugas que disfarçamos com a maquiagem.  As gorduras localizadas? Ele  escancara que a nossa dieta não está tão eficaz quanto pensávamos.
        Imagine cada aluno ou professor diante de um espelho,  momento ímpar,  ele e o espelho.  Sem a preocupação do facebook,  pois essa intimidade não deverá ser propagada.  É um mergulho em si  mesmo,  um despir-se de  “verdades” e de  certezas, dando chance para as incertezas,  os questionamentos.  Pois são as dúvidas que nos movem e não as certezas, pois   as nossas “verdades” nos acomodam,  tornando-nos prisioneiros do  casulo e não alçamos voo para as novas descobertas... 
       A educação olha para o espelho e o que  percebe?   A saúde resolve olhar também...  E a segurança pública frente a frente com o espelho, desarmem-se! Gostam da imagem refletida?  Conseguem parar um minuto diário para   o além do reflexo?  E você diante do espelho?  Já tentou fazer o exercício de buscar além do refletido? Se a imagem continuar do mesmo jeito não culpe  as estrelas, mas o seu espelho.
       Porque o  espelho  consegue ir além da  maquiagem e   revelar   o  reverso.  O lado fantástico  é a  imagem por outro ângulo, pela visão dele e não  nossa.  Por isso que há tantas pessoas que não gostam do que veem  e evitam os espelhos.  Diante dele é possível enxergar o “atrás”,  as sombras que tanto deformam a imagem refletida.  O bom é  olhar para o espelho  da  alma, quando senti-lo embaçado por conta de algo negativo praticado  é tentar corrigi-lo para sentir-se melhor, não para agradar o mundo,  nem Cristo conseguiu , mas para agradar a si mesmo.     

       É no espelho que nos encontramos e nos perdemos. Enxergamos além do apresentado,  registrado. Só o espelho é capaz de mostrar a face oculta,  aquela que escondemos a sete chaves, mas como ele é mágico  encontra  uma das chaves e abre as comportas...
                                   

                                     Elisabeth Amorim


*imagem da web

domingo, 21 de junho de 2015

A zebra curiosa (infantil)


Era um dia perfeito
Mas aquela zebra  bonita
Apresentava um terrível defeito
A sua curiosidade infinita
Aquele mau costume não tinha jeito
Que coisa esquisita!


Todo animal que chegava
A zebra queria saber
O que fez e onde morava?
Como aprendeu sobreviver?
A zebrinha interrogava que interrogava
Dela os animais passaram a correr.



Enquanto  a  curiosa zebrinha
Olhava a vida alheia
Não se preocupava com a sua vidinha
Que passava sem pareia
Questionava até o patinho
Que nadava na hora da ceia.



Os animais em protesto
Resolveram interrogá-la
Queriam  através de manifesto
Para a zebrinha se explicar
O motivo de cada gesto,
Cor, forma, lista que ela poderia usar.


Era um tal de porquês...
Pegando no seu pé
Que lista preta! Por quê?
Responda agora se quiser...
E esta lista branca, quero saber
Por que? Zebra tem chulé?



Onde a zebrinha ia
Logo aparecia um animal
Perguntava e  sorria
Fazia a coitada passar mal.
_Como você sobreviveria
Se não fosse tão igual?


Sufocada a zebrinha correu.
Os animais confabularam em reunião...
De repente a girafa apareceu
Para resolver a situação:
_Deixe que eu descubro onde ela se escondeu.
E darei um fim  nessa questão!



A  girafa experiente
Observadora e de bom coração
_Venha zebra! Mostre para a gente
Que aprendeu a lição.
Antes, porém suba aqui na frente!
Que irá saber para que serve meu pescoção!


Surge a zebra envergonhada
Daquela situação vexatória
No pescoço da girafa fica agarrada.
 Algo que entrou para a história.
Pois a girafa deu uma  balançada.
E o chão serviu-lhe de palmatória.



                                                  
                    Elisabeth Amorim
                           (escritora que desmonta a literatura, espalhado-a pelo mundo)

sábado, 20 de junho de 2015

Deus ( poesia)


Quando estava à beira do caminho
Foste Tu quem me deste a mão.
Que me chamaste de filha
Mostrando-me a solução.

Quando recebi tão dura prova
Tu ajudaste a aliviar
Lembrando-me  quem contigo andas
Não teme o caminhar.

Quando aceitei a tua mão
Minha vida mudou
Tornei uma pessoa nova
 Hoje,  grata  sou.

Quando os problemas surgem
As soluções aparecem também
Encaro a vida frente a frente
Com esse Pai que não abandona ninguém.


Quando me deste o milagre da vida
Provaste o quanto és perfeito
Mesmo que  o mundo diga “não!”
 Tu querendo... mostras outro jeito.


Quando apaixonei-me por Ti
Tocaste a minha  alma
Hoje sou tua serva, não nego.
E  essa paz que vem de Ti  me acalma.


Finalmente tu me escolheste
No meio da multidão
Como uma fonte de água viva
Lavaste o meu coração.

                                                  Elisabeth Amorim



terça-feira, 16 de junho de 2015

Antropofagia ( prosa poética)



*

     Pensa que estou sozinha? Nada disso. Sempre busco um ombro amigo para juntos desmontarmos os cenários prontos. E Modernismo é isso, uma ruptura constante. Desde a Semana de 22, esse choque da cultura e contracultura acontece,  para no final das contas sermos engolidos pelas convenções culturais. Afinal, é o cânone quem manda no pedaço. 
     E não se assuste com essa frase “só a antropofagia nos une”,  Oswald já se manifestou há muito tempo sobre isso.  Agora, quero alguém que ouça a minha história de luta e discriminação mais velha que o mundo. 
    Eu poderia ser mais uma daquelas operárias da fábrica que minha patroa representou, mas não sou. Ela quis homenagear-me de uma forma especial. Apresentando para o mundo um dos meus atributos.   Mostrar  que  negras  sempre trabalharam. Muitos brancos já mamaram em nossas tetas, não era assim que nos viam? Uma ama de leite! Uma negrinha boa de cama! Com minha patroa não, ela sempre olhou além das lentes sociais. Ela tinha  o toque poético no olhar. Pintou-me sensual e solitariamente.
   Em 1923, fui  “A negra” de Tarsila do Amaral. Cinco anos depois, apaixonei-me por ele, o meu  Abaporu. Foi amor à primeira vista, a imagem dele chocava o mundo, eu não ligava, amava-o em silêncio, achava que minha patroa fez ele para mim. Não me conformei quando o  “abaporu” foi dado de presente para Oswald, o Andrade.  Sabia que aquilo era amor.  Um amor tão forte e tão canibal que um ano depois...
   Não deu outra, minha patroa e artista predileta nos retratou juntinhos, lembro-me de 1929 como se fosse hoje.  Estávamos no nosso momento de deleite. Uma negra amando aquele Abaporu tão diferente, nas mãos da artista tornamo-nos iguais. E  aquele nosso encontro tão íntimo, onde a perna dele  encostava suavemente no meu seio... Flash!  
Ele, o mundo inteiro conheceu, enquanto eu, não passei da negra velha que o abaporu deu uma  xavecada. 
E a antropofagia aconteceu.


                              Elisabeth Amorim


*Tarsila do Amaral,  Antropofagia, 1929. ( disponível na web)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Namorados (conto)


Duas pessoas em uma. De repente surge a indiscreta terceira pessoa. E o “nós” desaparece para outros nós surgirem. E o que é o amor senão esse emaranhado de nós que casais de todas as idades se propõem  a desatá-los  e assim  formarem novos laços?
Miguel e Anita jovens apaixonados. As histórias lindas vivenciadas eram motivos de muita intriga e cobiça. Surge  Carlos Troves,  um jovem que sentia uma paixão obsessiva por Anita e por conta do excêntrico sobrenome, não aceitava ser dispensado, achava ser melhor pretendente do que o novo amigo.
Aproxima-se de Miguel, ganha a confiança e com isso envenena a relação dos jovens apaixonados. E a separação de Miguel e Anita foi inevitável.  Acompanhada de ressentimentos e muito amor guardados num velho baú.
O que Carlos Troves não sabia, era que o amor supera as barreiras mais difíceis. Não se pode duvidar da força do amor. Derruba o tempo, a distância e a saudade.
Anos se passaram, cada qual vai para seu lado, reconstrói a vida em outros braços e ficam presos a outros laços que também vão perdendo as pontas nas estradas da vida. E  a vida segue.
Entre as muitas voltas da vida, em um banco da praça… com cabelos grisalhos, olhar sereno aquele senhor é notado…
_ Não pode ser! Não pode ser!
A vovó  arteira,  retira o relógio do pulso e o coloca no bolso da roupa azul. Para que pensar nas horas? O presente bate à porta.  Com um sorriso simpático e uma alegria contagiante ela  se aproxima com os passos lentos, reflexo de um tempo que não para.   Senta-se no mesmo banco do senhor de cabelos grisalhos.
_ Com licença, por acaso o seu nome é Miguel?!
O senhor sorri, tranquilamente responde:
_Boa tarde, Anita! Demorou…
Assustada e  feliz Dona Anita responde:
_ Meu Deus! É você mesmo, Miguel? Quanto tempo! O que está fazendo aqui próximo à minha casa?
_ Esperando o meu único amor. Feliz Dia dos Namorados!
E selam o reencontro com aquele beijo  que fora  roubado.


                                                E. Amorim

* Marcio Camargo, Casal no parque ( disponível na web- apenas ilustração)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Aprendendo com as borboletas ( mensagem/reflexão)




Quantos de nós adiamos as ações de ontem para amanhã?  Empurramos o lixo para  debaixo do tapete para não pegar o aspirador de pó ou  uma vassoura para expulsá-lo.  Sabe por que fazemos isso? Porque nos esquecemos da brevidade da vida. Será que o amanhã é nosso, mesmo?
O único tempo que temos domínio é  o agora, esse presente que estamos vivenciando. Eu, escrevendo, voando como  uma borboleta e você lendo, e com certeza, fazendo também a sua viagem. 
Que tal olharmos a vida de uma borboleta? Ela passa um determinando tempo sendo o quê? Um lagarto qualquer, dentro do seu casulo, despertando em muitos de nós a  repulsa, talvez, indiferença. Será que conseguimos ver a beleza de uma borboleta ainda dentro do casulo?  Depois do cumprimento da sua  missão, surgem as asas.  Eis a transformação!
As borboletas tem uma vida curta. Nem por isso elas permanecem no casulo, acomodadas ou preocupadas com fugacidade do tempo.  As borboletas mesmo com as frágeis asas,  voam.  Talvez, se elas pensassem nas fragilidades das asas, na brevidade da vida, efêmera  beleza, permaneceriam assustadas em seus locais de conforto, quem sabe assim nunca seriam notadas. Será que escondidinhas  seriam felizes?
A vida pode ser breve, mas a vontade de  enfeitar os jardins, colorir a paisagem, sair do cativeiro é maior.  E as borboletas aproveitam os poucos dias de vida e nos proporcionam uma das mais belas lições de autoestima.
Voe! Abra suas asas! Não aceite menos que a liberdade!  Viva a sua história! Invista no seu potencial! Saia do seu local de conforto! Percorra o seu mundo enquanto há vida pulsando em ti.  Enfim, a  beleza não está apenas nas minhas asas, mas no que posso fazer com elas enquanto as tenho.  


                                        Elisabeth Amorim

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim