sábado, 11 de fevereiro de 2017

Não posso dizer...(poesia)



Que foi bom enquanto durou
O meu sonho.
A parceria e  a cumplicidade
Opostas e dispostas
A colocarem  todas as cartas
Sobre a mesa.

Não posso dizer...
Que sentirei falta do seu abraço,
Quando nossos laços
Desatados e mascarados
Desfeitos como um simples puxão
Do fio do casaco de lã.

Não posso dizer...
Que estarei sofrendo com a sua partida
Sem chances para despedida
Amorosa e chorosa
Nem o seu nome eu gravei
Não nasci para sofrer.

Você nunca me abraçou.
Sem compartilhar sonhos e fantasias,
Sente-se  contraditoriamente ofendido.
O tempo passou, o bonde se foi.
Não sinto a sua ausência porque
 Sua presença relâmpago nem  o lençol registrou...

Afinal, sabe o quê o egoísmo nos  acrescenta?
Aquilo? Isto. Nada! Talvez,
algo microscópico que não posso dizer...

                                                            Elisabeth Amorim


TOULOUSE - LAUTREC, En la cama: el beso (1892)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Não desista de sonhar! ( mensagem de otimismo)

                                                 
*
         
 Durante a sua jornada, seja ela pedagógica, filosófica, religiosa ou apenas ideológica, você sempre  encontrará pessoas dispostas a lhe ajudar a seguir adiante e não paralisar diante dos desafios. E do lado oposto,  outras que agirão de forma contrária, dificultando cada passo enfatizando apenas os seus erros.   Lembre-se de que  as pessoas boas  fazem a diferença tornando a  vida mais bonita.
      Para alguns é difícil abraçar, cativar, porém, é  fácil criticar e apontar  o “cisco” do olho do vizinho sem perceber a “trave” dos próprios olhos. Para esse ano de 2017 proponho  que invista  nos seus  sonhos, doe-se mais no projeto que te faz bem e  ao seu   entorno e seja feliz.   Primeiro passo:  Retire a  trave dos  olhos e não se deixe paralisar pelas críticas alheias.  Segundo passo:  Torne o percurso alheio mais suave com a sua presença,   para tal  descarregue-se diante do espelho! Desarme-se! Esvazie-se das coisas negativas e encha-se de luz, tolerância e amor. Terceiro  e último passo, por sinal o mais importante:  Não desista de acreditar no seu potencial, mas valorize o potencial alheio,  por isso não mude sua rota  para  tentar agradar a quem nunca você conseguiu cativar,  persista e sonhe! Sonhe alto, mas  faça uma aliança com Deus.  Para quem tem uma fé firme,  Deus  guia e sustenta todos os passos daqueles que entregam a vida para que Ele dirija.
        Seja otimista! Esta é a minha mensagem de início de ano. Não alimente mágoas, nem acumule pedras.  Deixe na cruz tudo  que passou, que te feriu ou que você tenha usado para ferir alguém.  Não somos perfeitos, apenas devemos buscar  a excelência a cada dia.  Para tal, precisamos acreditar que é possível fazer a diferença em todos os locais  transitados, principalmente no  lar, com os  filhos, esposo(a), pais, irmãos.  Indo além, no trabalho, na  rua,  cidade, no  estado ou país... em  todos os locais, o tamanho dos seus sonhos  impulsionará  a seguir adiante ou ficar paralisado, esperando acontecer. A sua fé é o diferencial.
      Não é privilégio para  ninguém dizer que “escolheu Deus”, porque alguns marginais mais temíveis  da sociedade,  presos e revoltados,  usam  o nome de Deus em vão.  Privilégio é  de quem é escolhido por  Ele e o tem como guia.  E se você tem sonhos, coloque Deus no centro. Ele dará a direção favorável  ou contrária, sim ou não dEle é para te fazer um vaso de honra.
      Às vezes, queremos ouvir apenas o “sim” de Deus ou dos homens,   mas  é o “não”  que irá nos fortalecer, é o “não” que promoverá o crescimento para uma nova caminhada ,  e através do  “não”  Deus mostrará  que tem sempre algo melhor para aqueles que nEle confiam.  E eu agradeço a Deus por todos  “sim”  e “não”  recebidos  durante a minha jornada. Todos eles serviram para o meu crescimento espiritual e pessoal.
      Hoje posso dizer que  escolho Deus, mas sou muito mais feliz por Ele ter me escolhido também.  E sei que todas as minhas vitórias e derrotas tem mais que um dedinho de Deus, pois cada passo, abraço, avanço ou às vezes, retrocesso, Ele se faz presente.  Tenho orgulho de ser quem sou, uma professora e escritora iaçuense, uma mulher nordestina  que jamais parou de sonhar e investir nos próprios sonhos.  E sempre agradeço a Deus pela presença forte em minha vida e todos que carinhosamente compartilham desses sonhos, cada vez mais nossos...  sonhos  de uma educação de qualidade,  sonhos de uma literatura forte para nossa cidade,  sonhos de elevar a nossa cultura, colocando-a em locais mais alto.  Percebo que as portas se abrem, e o Congresso Nacional e o Senado Federal são os nossos limites?
Pois é, por onde ando, levo o nome de Deus, juntamente com a nossa literatura iaçuense,  enfim,  uma bagagem de  sonhos que vão se realizando  lentamente a cada dia. Por isso, enquanto respiramos, não podemos desistir de sonhar, acreditar, investir e confiar.


                                Elisabeth Amorim

* pegando carona com o presidente JK e a sua esposa Sara.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O peso do diploma (crônica)


                                                             

          Não acho  graça das piadas que estão fazendo acerca do mega  empresário brasileiro envolvido em  negócios ilícitos e preso numa cela comum por não ter um diploma de nível superior.  Até quando a educação  será  vista como objeto de barganha  ou  desdém  para quem teve que batalhar para ser diplomado? Quanto vale um diploma?
         Entre as inúmeras piadas circuladas na internet, uma me chamou a atenção:  “ Com tanto dinheiro, por que Eike  não comprou um diploma?”  Seria tão fácil comprar um diploma para gozar o privilégio de uma cela individual, especial... uma cela de uma pessoa que estudou, perceba como é  interessante  e ao mesmo tempo assustador esse pensamento, não?
         Assustador porque mais uma vez a educação, os estudos, as pesquisas são reduzidas a quê?  A uma cela diferenciada?! Em nenhum momento que passei( e ainda passo) da minha vida debruçada sobre os livros, alimentei um pensamento tão pequeno quanto esse.  Ainda bem,  o quê seria de mim sem os meus títulos adquiridos arduamente?  Diploma significa fruto de muito suor e sacrifício.  Reconheço que a corrupção no nosso país lapidou toda a nossa riqueza, mas associá-la a um diploma  para receber o benefício prisional é algo perverso.
           Há milhões de brasileiros que se dedicam estudando e investindo num país melhor através da educação,  sem pensar em roubar para ter direito a uma cela especial. Estudam  por desejarem  uma vida mais digna. Meus diplomas valem mais que ouro! São os meus troféus, sabia?  Porque  cada vez que olho para cada um título alcançado, percebo que valeu a pena as lágrimas derramadas, as noites perdidas, o corre-corre para conciliar trabalho, família, estudos, doença... Valeu a pena manter a minha dignidade e percorrer legalmente  cada trilha escolhida. Se  faltou o diploma de doutora, não foi por falta de esforço e estudo, dei o meu melhor e fico feliz por não ter buscado atalhos, como as mensagens  nas redes sociais sugeriam.
          De tudo que li sobre a falta da compra de um diploma, uma coisa ficou marcado... o nosso país tem chance, não chegamos ainda ao fundo do poço. Estudiosos de plantão, não desanimem! Porque por mais que roubem  os cofres públicos, ainda estão poupando os nossos sonhos,  é através da educação que sonhamos com um mundo melhor, se roubam isso de nós... apodreceremos numa cela pior a que a dos empresários envolvidos na corrupção,  mas a cela da ignorância.
          Então, estudem meus queridos! Estudem para que vocês possam deixar algum legado para seus filhos, netos, amigos, irmãos... maior que uma pequenina cela.  Lembro-me de uma  certa matéria  sobre um desses empresários presos  quando presenteou a amada com uma coleira de brilhantes ou foi diamantes. Na época eu ainda bem nova, mas madura o suficiente para entender a ostentação e ao mesmo tempo atitude de controle sobre o corpo da mulher, mantida sob uma coleira.  E uma das perguntas da matéria foi:  “Qual a mulher que não gostaria de ganhar uma coleira desse tipo?”   E eu respondia,  sorrindo para o aparelho de televisão: - “Coleira?! Eu não gostaria! Eu não quero nada que me aprisione, mas que me liberte... Quero o meu diploma!”
         Ainda hoje, tantos anos depois,  mesmo sabendo que a coleira era valiosíssima, minha visão não mudou muito.  A todos e todas que acreditam que darão a volta por cima através educação, persistam. Um dia todas as coleiras que colocaram em nossos pescoços serão quebradas. Porque acreditamos que os méritos alcançados através dos nossos  diplomas terão um peso bem maior e um valor duradouro.
                                E. Amorim









terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O silêncio quebrado ( conto)

                   
                  De repente  percebi que ele não estava mais me procurando. Uma, duas , três semanas, meses,  sem nenhum telefonema, uma mensagem. O que é o amor sem a troca mútua, uma cumplicidade doída, mas que faz um bem danado. E aquele silêncio estava me incomodando.
                  Mas a ausência vai tomando todos os espaços que já havia tanto tempo sem notícias que nem sei mais onde morava a tal saudade. Mas, onde será que ele guardara todo o amor que havia me prometido? Onde escondera toda a paixão que jurava sentir por mim?
                Não posso ficar esperando que ele me procure, afinal foi eu quem pedi um tempo, achei que aquele amor me sufocava, agora percebo  que é a falta de amor que  sufoca.  Vou buscá-lo de volta para os meus braços, não deixarei mais esquecer nenhuma promessa. Farei a minha presença indispensável que impossível será  partir novamente.  Jamais pedirei um tempo novamente. Tempo é muito cruel, acelerou veloz  e eu  nem percebi...
                Primeiro tentei pelo número do celular, não deu certo, uma voz feminina e irritada me atendeu, dizer o quê? Desliguei imediatamente.   Percebi  também que ele não estava mais usando as redes sociais, telefonema básico para o local de trabalho também não deu certo, um estagiário novato não conhecia ninguém com aquele nome.
               Bem, só me restou uma saída. Não pensei muito para não perder a coragem. Joguei  a bagagem  no carro e partir. Cinco horas depois, estou como uma adolescente, apertando a campainha da casa do meu amor. Mil coisas passavam pela mente, como seria esse nosso encontro? Quanto tempo?  Confesso, estava nervosa.  A minha espera não demorou muito, a porta se abre e dou de cara com a sua ex-mulher. Não poderia recuar,  depois daquela  viagem iria até o final:
               -Boa tarde! Por favor, gostaria de  falar com João... somos amigos.
              A mulher sorriu  sem graça e respondeu:
             -Amigos?!  Não, acho que você nunca foi amiga de João...  Agora ele não poderá falar contigo.
              -Como? Por favor,  eu preciso falar com ele, será uma conversa breve, nem se preocupe.
            -Já disse, ele não falará contigo!
             -Mas...por favor...pela nossa amizade...
              - Se você fosse amiga, saberia que ele morreu há três meses. Amigos não perdem tempo.
              Fecha silenciosamente a porta em minha cara.

                                                               Elisabeth Amorim


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Os dinossauros em Brasília(Conto)

         Quinta-feira chega praticamente sem novidade, em  Brasília o clima estava quente,  principalmente na Câmara dos Deputados porque  a Proposta de Emenda Constitucional bem conhecida como a PEC 241 seria votada.  E como  o ponto alto da emenda  é o congelamento de gastos públicos por até 20 anos,  os ânimos estavam exaltados, pois ninguém queria perder essa votação.
               Casa cheia, deputados e senadores  presentes. A votação seria bem tranquila, apesar dos protestos  do público, com apitos, bandeiras e cartazes.  Por conta do barulho a votação foi interrompida e  o púbico teve que ser retirado.  Só que ninguém contava com a reação da Madame  Ey.  Ela ficou furiosa, pois não tinha culpa se os outros gritaram e não achou justo esvaziar o plenário:
             - Não! Não quero sair, não tenho apito e não vaiei ninguém!
             E os seguranças retrucavam:
             -Senhora, por favor, estamos apenas cumprindo ordem...
             Ey gesticulava, argumentava, até que foi arrastada do salão.
             - Eu  não vou sair. Se eu sair  essa sessão jamais  será esquecida!
           Ao chegar na rampa do Congresso Nacional,  Madame Ey, pediu para as outras pessoas se afastassem que ela daria o  troco,  e  começou a gritar alto chamando alguém:
_ DINOS! VENHAM CÁ!  DINO!
                             
Todo o pessoal deu risada, pois achou que seria uma brincadeira daquela senhora.  Outras pensaram que ela era louca, ficar gritando  o esposo daquele jeito, bem na frente do Congresso Nacional....
Não se sabe de onde saiu tantos dinossauros. Grandes, pequenos, médios... faziam um barulho estranho e ensurdecedor.  Madame Ey falou com os bichos uma língua que só eles entendiam.   E os dinossauros invadiram o Congresso Nacional fazendo algazarra, andando pelos salões, subindo escadas, indo para o local da votação... e assumindo o comando das urnas eletrônicas, quebrando tudo que encontravam pela frente. Se não tirassem os dinossauros dali, a capital do país perderia uma grande obra, no entanto eles sorriam nos telões quando se viam filmados. Dinossauros  fingiam que  davam entrevistas porque  não diziam coisa alguma, mas gostavam de se fazer notar. 
Muitos congressistas se identificaram com os dinos e até tiraram fotos com eles ao perceberem que eles não eram violentos, mas estabanados. 
                                         

Bem, até hoje não se sabe como eles conseguiram votar na tal PEC 241, mas Madame Ey garante que a votação foi legal. O caso foi totalmente esquecido, pois ninguém queria assumir que foram dinossauros que votaram ou houve um acordo secreto entre eles.   Cada um fingia que não sabia de nada, mas vez ou outra uma foto surgia nas redes sociais ao lado de um dinossauro.  Meio camuflado   um assessor de algum parlamentar foi procurar Madame Ey  para saber qual destino foi dada aos dinossauros...
_ Que dinossauros?  Eu nem sabia que tinha dinossauros em Brasília...





                                                                                            E. Amorim

Imagens do Park Shopping em Brasília/DF (fotos E.Amorim/ Marcos Amorim)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Lamento dos Candangos ( cordel)

                  

É  por conta dessa vida besta
Que passa no meu sertão
Rumo esperançoso para o Centro-oeste
Mas não quero que me chame de cabra-da-peste
Sou mais um  guerreiro cidadão
Só larguei o meu Nordeste
Por falta de opção.



Falaram que na nova Capital
De tudo vamos encontrar
Terá trabalho para todos nós
E a nossa vida vai melhorar.
Não quero saber de ostentação,
Depois que ganhar um pouquinho de dinheiro
 Volto correndo para o sertão.
      


Eita vida amargurada,
Tive que deixar  para trás a secura,
Menino, mulher e toda a bicharada
Primeiro vou sozinho em busca da fartura
Vou trabalhar em toda Esplanada
Na capital que será construída
Vou com certeza melhorar de vida.
               
                                                                               


O sonho de JK
Me  pegou desprevenido
Sem dinheiro, trabalho, morada
Larguei o sertão e vim para cá.
Achei que aqui teria conforto
Minhas mãos estão calejadas
Mas nada da construção posso desfrutar.
          

Eu sou mais um nordestino peão
 Sonhador e esfomeado.
Pedreiro de profissão,
Dizem que chegaram a 80 mil
Noite e dia na construção
Cimento, tijolo, cal, sangue e suor
Para inaugurar Brasília em 21 de abril.
           
      

Candangos  fomos batizados,
Forma discriminatória de identificação
 Um povo que ajudou com lágrimas
Construir essa nação.
Sem direito sobre o próprio destino,
Erguemos cada luxuosa construção.
 Sem espaço, expulsos os pobres  nordestinos...
                                   


Não somos candangos, mas guerreiros!
Tristes, trabalhadores  pioneiros,
Sedentos, famintos, massacrados...
Mas  na Praça dos Três Poderes
Graças à arte de Bruno Giorgi
 “Dois Guerreiros” com 8 metros de altura
Fomos finalmente homenageados ali.
              
    
Só  estou nesse lamento
Porque esse Brasil precisa mudar
Expedito e o Geldemar
 Soterrados na construção
E  só assim o povo  veio notar.
Brasília foi sonho dele...
Mas muitos  candangos morreram sem sonhar.



 Fim



Elisabeth Amorim


Ps:  Em 21 de abril de 1960 Brasília foi inaugurada pelo presidente  Juscelino Kubitschek ( JK). Na Praça dos Três Poderes a escultura " Dois Guerreiros" também conhecida como "Os Candangos" faz homenagem aos pedreiros  Expedito Xavier Gomes e Geldemar Marques , assim como tantos outros morreram na exercício da profissão durante a construção veloz da capital.  Vale lembrar que a cidade foi planejada por Oscar Niemayer e Lúcio Costa. (algumas informações foram buscadas nos sites www.nomomento.com /  www.brasilimperdivel.com )

fotos: E. Amorim/ Marcos Amorim

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim