sábado, 6 de dezembro de 2014

A minha rua de ouro (conto de natal)




Atravessei a cidade de Berlim para passar o final de semana com meus avós.  E confesso que foi o mais inesquecível de todos os tempos.  Pois lá divertimos muito.  Trocamos presentes, beijos e abraços. Era mês de agosto, início da década de 60. Não sou supersticioso, mas dizem que o número 13 é do azar... Será?

Ao amanhecer, que susto!  Não conseguia enxergar o outro lado da cidade... Havia um enorme muro que nos isolaram. Fiquei de um lado com meus avós e meus pais, demais parentes e amigos do outro. Desesperado, pensei que logo chegaria o Natal. As ruas todas enfeitadas, e a minha rua?   No Natal a minha rua ficava parecendo que havia ouro no chão. A iluminação  dava um efeito surreal que não conseguia   me imaginar sem a  minha rua de ouro.

Não tinha jeito. Queria pular o muro, mas soube que estava sendo monitorado 24 horas.  E as pessoas que tentaram não tiveram sucesso. Voltei  para casa de meus avós. E de lá aprendi a mais bela lição de vida. Como a sabedoria dos mais velhos é preciosa para nós.  E eles me disseram:

_ Não há novidade que dure para sempre.  Um dia o muro cai e não existirá  fronteira para abraçar os nossos  irmãos...

_Mas vovó... E a minha rua de ouro? O natal está chegando...

_Meu netinho querido,  em seu coração não há muro que separe você da sua rua de ouro... Guarde-a  contigo. Tem como apagar o amor pelos seus parentes que estão do outro lado?
_Não!
_Então... O  único muro que nunca será derrubado é o da ignorância.  Esse tem raízes profundas  e ramificações.  Os demais  são  derrubáveis.

Meus avós tinham razão.  Pena que eles não estavam mais comigo quando aquele muro foi derrubado 29 anos depois.  E vocês não imaginam a minha felicidade ao atravessar aquela fronteira imposta correndo, de mãos dadas com os meus filhos. A felicidade foi tamanha que me  esqueci que estávamos em pleno mês de outubro...

Corri, corri até chegar à minha antiga rua... olhava para o chão a procura do ouro.  Tudo modificado. Enquanto o meu guri mais novo perguntava:

_Cadê  o ouro, papai?

_Estava aqui... Era aqui a minha rua de ouro.

_Papai, cadê o ouro?

_Ah, crianças, lembrei-me... o ouro é mágico, só aparece no Natal.

  
                E. Amorim \ 2014

Ps: imagens da web" Ornamentação  de Natal em Berlim"  E para os meus leitores alemães, FELIZ NATAL! Obrigada pela visita.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

CONTINHO DE NATAL



 Estava chegando o Natal, e como todo ano, no ar aquele clima de  boas festas, animação e solidariedade.  Legal, esperar que naquele natal a felicidade realmente não errasse o endereço, isso era o  mais desejava Mefer.   Mefer, um garotinho como outro qualquer,  morador de rua, apenas dez anos de idade, mas com uma enorme responsabilidade nas costas:  lutar pela própria sobrevivência,  passou a acreditar que no natal seria diferente, e assim aguardar o tão esperado dia.
     Na rua, estava a mercê das várias formas de violências, sendo a mais marcante a indiferença. Mefer vivia nos sinais  de trânsitos pedindo um trocadinho  ou ele era aquele garotinho que outrora se arrastava com  aquela caixa de engraxate? O pior que os sapatos sumiram com a onda dos tênis, cada sapato social era disputado, pois parecia que Mefer tinha o dom de se multiplicar. Tinha momento que Mefer era visto dormindo num banco qualquer na praça, embaixo de alguma marquise, driblando o tráfego desafiando a morte, ou seria a vida?
     Caminhando ao acaso, correndo de alguma travessura,   olhando as vitrines, gostaria de ter um tênis, uma bola... Eram tantos sonhos pequeninos.  Mas os olhos começavam a brilhar diante dos coloridos ofuscando as luzes que piscavam nas árvores, e logo aparecia alguém para expulsá-lo daquele local, afinal os olhos eram confundidos com duas estrelas, às vezes algumas lágrimas sofridas escapavam... E não ficava bem diante da festa da união aquele garotinho sujo e faminto ali.  Brilho dele?! Só com a tarja preta no rosto!
     Não sabia onde estavam seus pais, provavelmente despacharam logo cedo para o submundo. Deve ter sido um “pestinha” para ser despejado na infância. Na infância?  Quando deixou de ser criança?  Como um pequeno adulto se queria comer, vestir, calçar... tinha que  lutar  para isso. A vida lhe agrediu muito cedo e ele também aprendeu com ela revidar. Infelizmente,  as carteiras, bolsas e celulares arrebatados  eram  formas de pedir socorro em voz dupla. Para si e para  as vítimas.
     Chega o Natal, os aparatos midiáticos e consumistas vão até  Mefer.  Muitas luzes,  fios, microfones, acompanhados de  uma dama chorosa e solícita com  brinquedos de diversas formas e tamanho. O escolhido  estava dormindo todo encolhidinho debaixo de um viaduto, se assusta  com a infinidade de presentes. E de repente, chora copiosamente. O quê aconteceu? O garotinho se emocionou com tantos presentes! Vejam a cara que o pequeno Mefer fez diante dessa ação solidária! E nada mais que justo Mefer falar  em rede nacional o quanto ficou feliz com  a chegada do  natal. Ainda tentando segurar os soluços, Mefer fala bem baixinho, talvez para não contrariar aquela senhora:


     _ Eu... eu... num tô feliz!  Eu queria... Queria... uma  pitadinha assim de felicidade... Onde vou botar esses brinquedos?  Eu só queria ficar com a bola... E ganhar um abraço de Papai Noel!
     E o  choro daquele refém invertido da violência social, no dito popular “sem eira nem beira” toca uma pessoa que vem das margens, e de imediato, procura a fundação que o abrigou. Dela, o pequeno Mefer recebeu além do abraço, o respeito e a atenção... Ao conhecer uma linda história de superação,  acreditou que vale a pena viver, sonhar e lutar por Natal de realizações. Ela lhe ensinou que Natal precisa ir além das festas, presentes, comidas, mas momento para reflexão sobre as ações praticadas durante o ano que se finda. Cada dia é único e a chance de  fazer o bem não pode ser adiada para apenas um dia...  Aquele  “Continho de Natal” que ouviu daquela mulher anônima que entrou sorrateiramente em sua vida mudou a sua história.


_________________________________E. Amorim/2013_____________

            Desde já, um NATAL de realizações para todos! A vida por mais difícil que seja sempre nos dá  a chance de modificar a dureza em cada amanhecer, depende das nossas ações realizadas a cada dia.
                                      FELIZ NATAL!



Ps: imagem da web, sobre a tela: BARTHOLOMÉ ESTEBAN MURILLO (1617-1682),  O menino e o cachorro.

                        

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

... a luz nascerá em seu coração! ( mensagem)



Quando estamos tristes acreditamos que a nossa dor é a mais intensa. A cruz  a mais pesada. Toda dor poderá ser compartilhada simbolicamente, jamais sentida por outro. Cada um sabe o tamanho da dor.  Mas são em momentos cruciais que a  fé em Deus se renova.
Quando a dor se manifesta, Deus surge para dizer: _ Estou aqui para secar o seu pranto! Estou do seu lado!
Há dor mais forte de uma mãe quando perde um filho? Ou do filho que perde a mãe? Ou será que a dor é mais forte para quem nunca conseguiu ser mãe e jamais terá um filho para perder? Nessa hora, Deus surge para nos dizer: Meu filho Jesus Cristo também perdi de maneira injusta... Nem por isso eu desistir da humanidade.
Caro leitor,
Não sei o tamanho do seu sofrimento, se  é possível medi-lo... mas sei  o tamanho da minha fé. E com certeza as nossas dores são  diferentes e se manifestam de formas diversas. A minha posso não alimentar... Porque qualquer problema alimentado, cresce, cresce, cresce tanto que se torna  impossível ser carregado. Prefiro escrever passando uma mensagem de paz, desejando luz para os corações entristecidos pelas dores do mundo. A escrita me faz bem e poderá também fazer a você...
Na dor... Encontre-se com Deus, converse com Ele. Divida o seu fardo com quem realmente tem condições de tirá-lo de você. Só Deus sabe o tamanho da sua dor.  Ele é a LUZ!
Neste Natal, por mais brilho que as luzes externas apresentem, faça acender a luzinha dentro de você... Agradeça a Deus, pois Ele nascerá em seu coração.  Com Ele ao seu lado as ondas baterão em rochedos... e você continuará de pé.

                                                                         E. Amorim

*imagem web -  Shopping Das Schloss - BERLIM

domingo, 30 de novembro de 2014

Natal com Tio Sam ( conto de natal)


Samuel era rico e poderoso. Sam, como era conhecido pelos amigos mais íntimos, era dono  de todo quarteirão. Todos no seu bairro e até os mais distantes tinham por ele uma grande admiração.
Sam apesar da aparência jovial era um ancião, super  malhado, mas conseguia despertar os suspiros das mocinhas casadoiras. E diante dele, restavam-lhes tremer as pernas e sonhar:
_Ah, se ele me notasse…
Irreverente, Sam não as enxergava. Estava preocupado em acumular mais riquezas e malhar todos os dias. Até que naquele dia, véspera de natal, ao descer da limousine nas proximidades de uma creche algo lhe chamou a atenção. Enquanto os seguranças tentavam afastar os curiosos e jornalistas, uma figurinha quase surreal se destacava. O frio intenso e a neve deixou a cena mais inusitada.
Sam  não consegue parar de olhar para aquela menina magrinha, toda coberta de gelo,  encolhida e agarrada um cachorro vira-lata, tão branco quanto ela. O grande destaque era um gorro laranja, luvas vermelhas e óculos grandes e ridículos.  Sam nem precisou falar uma palavra. Bastou um olhar para a menina, para que os jornalistas se voltassem  para a direção do seu olhar. E ela tornou-se o centro das atenções, como “boneca de gelo”.
_Dr. Samuel, não temos culpa se ela veio encostar aqui. Nós havíamos limpado a área.
_Desculpe-nos Exma. iremos tirá-la daqui.
E Samuel com o dedo apontado para a menina coberta de gelo:
_ I want you…
Os seguranças vão  atrás da garotinha bombardeá-la de  perguntas. Como ela havia furado o bloqueio, se ela não sabia que aquela área estava cercada, o que ela estava fazendo ali na passagem oficial… E agora ela teria que acompanhá-los, pois a Vossa Exma. gostaria de falar com ela…
_Com… com… comigo!? O tremor na voz era de frio.
Frente a frente com o homem mais poderoso do mundo, a menina não se intimida. Tremendo de frio, sempre agarrada com o seu cãozinho… Com os olhos ativos não esperou ser interrogada. Ela é quem interroga na inocência dos seus 12 anos:
_ O que o senhor… quer de mim?
Samuel não conseguiu segurar o riso. Ele querer algo de uma menina? Não restou  alternativa a não ser sorrir, sorrir bastante… E resolveu entrar no jogo dela.
_Eu? Não sei ainda… Estou pensando. Será que quero de você esse cachorrinho? Ou os seus óculos… E você, o que quer de mim?
_Nada. Foi o senhor quem me procurou… Pensei que o senhor queira sorrir um pouco… Eu faço as crianças daqui da creche sorrirem e sonharem  quando conto historias para elas…Mas hoje com a sua presença fui dispensada…E elas não vão sorrir.
Aquela resposta desconcertou Samuel. Engoliu em seco, contendo a emoção. Nunca encostara em alguém sem que essa pessoa deixasse de lhe pedir um favor. E  aquela menina  não pediu nada.  Ele poderia dar o mundo de fantasia. Realizar todos os sonhos… E ela é quem oferece sonhos?! Intrigado, revida:
_Como nada?! Você está com vergonha da imprensa? Vou dispensá-la… Com um gesto todos os jornalistas se afastaram. Peça o que você quiser.  Vamos, peça! Algo que faça você também  sonhar,  ser feliz. O quê?
_ Posso pedir mesmo?
_Claro, garota. Não te falaram que sou o Tio Sam?
_E se eu pedir duas, “Tio Sam”?
_ Você pode pedir mil, duas mil coisas… que te darei.
E a menina esfregando as mãozinhas de frio, sacudindo o cabelo para tirar o excesso de neve, com o olhar aflito, como se tivesse certeza de que ele recusaria o seu pedido, insiste:
_Tio Sam… Eu posso pedir o que eu quiser, mesmo?!
_Impaciente, Samuel já imaginava que teria que comprar um parque infantil para o bairro daquela menina… E sorri, não era nada…  sacode a cabeça num gesto afirmativo e aguarda:
_Eu quero… Eu quero um livro infantil novo e um casaco de lã.
E graças ao “Tio Sam” aquele Natal foi o mais feliz para as crianças daquela creche.
                                          Elisabeth AMORim

            

     Ps: caso o caro leitor queira imitar "Tio Sam"... eis as opções:

http://www.protexto.com.br/livro.php?   ( Casaco de  lã -  livro de contos)


http://www.apededitora.com.br/contato/ ( A boneca de pedra/infantil) 


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Um Natal Diferente ( conto)



Em torno da mesa a família se reunia para desfrutar a ceia natalina. Ao soar as doze baladas, um amigo secreto para a famosa troca de presentes. No entanto Malvina estava inquieta. Adolescente de 16 anos, havia tempo que deixara o sonho de Papai Noel para trás. Mas sentia que aquela noite seria diferente.
Participa ativamente das brincadeiras com as primas, sorria e disfarçadamente olhava o avançar das horas. Nada de anormal acontecia. Duas horas da manhã. Os parentes que vieram de longe vão dormir. O papo vai rareando, até que fica na sala apenas Malvina e uma bela árvore de natal.
Ela não sabe o que deu em sua cabeça. Passou a olhar para os enfeites das árvores e sorrir, de repente eles começam a falar com ela:
_Oi garota, por que está inquieta? É Natal!
Olha para um lado e para outro. Achou que estava enlouquecendo. Como poderia aqueles bonequinhos de plásticos falarem?   Era a sua chance de matar a curiosidade. E resolve responder:
_Oi, é por isso mesmo que estou assim. No Natal trocamos afagos, presentes, mas sinto que falta algo diferente acontecer para modificar as pessoas. Vocês concordam comigo?
_Claro que falta, Malvina. Você está correta. Agora cabe você fazer o seu natal diferente _ isso um papai Noel com seu tradicional saco vermelho_ respondeu.
_Como? Se todos estão felizes, não estão? Vejam quantas luzes, presentes, comidas...
Logo um lindo ursinho, também pendurado na árvore toma a palavra e diz:
_Malvina, não há luz maior do que a que vem de Cristo. E Natal é uma festa cristã. Tudo que você está vendo, sem essa Luz dentro de ti,  brilha falso.
E Malvina finalmente conseguiu encontrar “alguém” que pensava como ela. Sorriu e perguntou:
_O que devo fazer para que esse Natal seja diferente?
E todos os bonequinhos da árvore em coro responderam:
_Faça você a diferença!
Depois dessa resposta cada qual voltou para mesma posição inicial. E Malvina fica abobalhada, ajoelha-se diante da árvore para aproximar dos seus enfeites e insiste:
_Como? Como? Como?
De repente...
_ Malvina, esses enfeites de natal não são de chocolates! Vá dormir garota que você já comeu demais por hoje.
E sua mãe volta para o quarto, antes  apaga as luzes, deixando apenas o pisca-pisca da grande árvore de natal.


                                       Elisabeth Amorim

                                             Conheça os livros dessa autora

http://www.protexto.com.br/livro.php?livro=572 (CONTOS)

http://www.apededitora.com.br/contato/ ( A boneca de pedra/infantil)



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A menina do nariz iluminado ( conto de natal)



Aquela menina sabia que dentro de poucos minutos a luz se apagava. E sob  a iluminação fraca de um candeeiro ela se debruçava sobre os livros. Na penumbra do quarto  viajava nos textos lidos. O seu predileto era de uma porquinha que se chamava Pirula.  Como ela conseguia ler no escuro? Mesmo na escuridão ela encontrava a luz.
Ninguém sabia da luzinha na ponta do nariz que aquela criança carregava. Não conseguia ficar com a cabeça baixa por muito tempo. A luz pedia para erguê-la o mais alto possível, para iluminar pessoas ao entorno.  Ela tentava falar daquela luz invisível aos olhos humanos, mas ao perceber que não seria entendida, guardou segredo.
Um dia magoaram a menina e ela chorou.  A sua luz ficou fraquinha e puft! Apagou! No quarto escuro ela ficou tentando fazê-la voltar. Nada. Olhava no espelho e seu nariz não tinha nenhum sinal de luz. Ela ficou mais triste.  Começou e refletir sobre o que ela havia feito de bom ou ruim  para tê-la perdida...
_Como poderei ler no escuro?  Como andar de nariz para cima? Como ser feliz se o meu  brilho se apagou?  Pensava a  triste menina. De repente uma luz gigante acendeu em sua mente e disse:
 _ É Natal, faça o seu pedido! Peça luz para todas as pessoas! Deseje luz que você também será iluminada!
E a menina sorriu. Correu até a meia onde havia deixado o pedido de uma boneca, retirando-o escreveu:
_Papai Noel, por favor, quero luz para todos nós! 
Ela estava crescendo e a pontinha do nariz ficara pequena para carregar a sua luz, por isso o brilho foi para a mente. Com a mente iluminada aquela menina iria  ajudar outras pessoas descobrirem a própria luz. Com um bloquinho nas mãos ela passou a escrever cada passo para ser feliz. E o primeiro era nunca desejar mal ao próximo, pois o seu desejo profundo, realiza-se em você.
 Ficava triste porque muitos ainda não conseguiram fugir do quarto escuro... talvez tentando encontrar a luz perdida... Ela escrevia que a luz de cada um não se perde, muda de lugar justamente para acordar um talento adormecido... mas poucas pessoas  liam o que ela escrevia. Nem na escola onde ela estudava seus textos tinham valor.
Quando chegava o Natal seu sonho se renovava.  E era época de novos pedidos:
_ Papai do Céu, precisamos de luz! Queremos mais luz em nosso caminho!
Papai do Céu se comoveu com aquele pedido tão profundo daquela criança e convocou o Papai Noel para mais aquela missão...
E Papai Noel  veio do mundo dos sonhos, cheio de brilhos e cores para nos lembrar que a  a luz externa natalina não passa de pisca-pisca. Já a duradoura está dentro de cada um, no coração de quem pratica o bem. Às vezes ela corre para mente, mãos, olhos... Xi, quando andamos de cabeça baixa por conta dos obstáculos, a luz escorrega e vai parar na pontinha do nariz. E se chorar... ela vira uma estrelinha cadente.
                                  
                                              Elisabeth Amorim*

*Caso queira comprar livros da autora fineza entrar em contato diretamente  nos sites das editoras PROTEXTO  ou   APED. 



Papai Noel desajeitado ( conto )

*

 Eis que naquele Shopping Sem Nome contrata um Papai Noel muito simpático, mas ingênuo. E a regra é bem clara:

               NÃO É PERMITIDO TIRAR FOTO DE CRIANÇA COM PAPAI NOEL            
 SEM  AUTORIZAÇÃO DOS PAIS!
TEMOS FOTÓGRAFOS PROFISSIONAIS!

 O gerente do SHOPPING SEM NOME não era bobo, sabia que o uso da imagem infantil poderia causar problemas. E   precavendo-se dos aborrecimentos futuros, criou a tal regra, e claro,  traria dinheiro extra para o shopping.
Mas o bom velhinho não percebeu o capitalismo natalino… Não aguentava ver uma criança querendo o colo. Logo abraçava e descumpria as ordens do Shopping Sem Nome. O chefe da seção de olho no Papai Noel, pois havia fotos espalhadas em todos os cantos e o dinheiro dessas fotos não entrava… Tentou pegá-lo no pulo:
_Papai Noel, como o senhor explica fotos no mundo todo, e nada de dinheiro para o Shopping?
_ Sei não. Será que não está no caixa dois?
_Nada de piadas. O senhor está deixando ser fotografado?
_Uai! Como vou saber? Por acaso os espiões avisam?
Enfurecido pois o Papai Noel sempre escapava. Ele resolve mandar trazer a filhinha para fotografar com o bom velhinho… isso sem pagar um tostão para o shopping.
E a menininha chega com a babá. Apenas quatro anos de idade diz:
_Papai Noel, o senhor deixa Tinita bater uma foto  minha com o senhor?
-Claro, meu linda! Venha aqui, venha!
E coloca a criança no colo.  As fotos foram tiradas por Tinita que postou aqui e acolá… Resultado: o Papai Noel foi demitido para aprender cumprir ordem. Caiu na cilada ao fotografar com criança no colo sem a autorização dos pais…   Ele deveria ter coberto com a mão o rosto da criança para evitar a exposição. Esse foi o argumento usado para justificar a demissão e blá, blá, blá…
Injuriado, Papai Noel resmungava, pois não queria perder a imagem de bom velhinho e ao mesmo tempo atender as exigências do mercado:
_ Se digo não para uma criança, sou mercenário. Se digo sim, sou demitido!
Foi procurado por jornalistas e ao entrevistá-lo:
_Papai Noel, o senhor poderia nos dizer por que foi demitido?
_ Ora, porque eu não “meti a mão” na cara da criança na hora de fotografar…
Novo escândalo se formou envolvendo  o bom velhinho desajeitado.
                                                 

                                                         E. Amorim

Reflexão: Se digo não para uma criança, sou mercenário. Se digo sim, sou demitido!
* Imagem disponível na web (  site BEM-PARANÁ)

A imagem independe do texto FICCIONAL, apenas ilustrativa.

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim