quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Estudantes ensinam como a inclusão poderá sair do papel!

 
Fala-se muito em respeitar as limitações do outro, inclusão, educar para transformar, mas, muitas vezes só os discursos teóricos acontecem.  E o dia termina, o ano letivo também… no  travesseiro a interrogação:  o que foi feito para abraçar o outro com suas limitações e diferenças?
Estudantes da 3ª. série do Ensino Médio de uma escola pública no interior da Bahia,  diariamente, dão exemplos práticos de inclusão, mostram como fazer a diferença numa sociedade tão igual, massificada. Fazer a diferença exige de nós: ética, respeito, solidariedade, companheirismo, cumplicidade… Mas, o que esses estudantes do 3BM da pequenina cidade de Iaçu fazem de tão especial?
Antes, vale repensar nas questões: Como avaliar(ou julgar) quem não fala a sua língua? Como ensinar língua portuguesa a quem não conhece nem ouve  os códigos utilizados por você? A primeira reação é “não vou conseguir!” ou reverter a situação : “esse aluno não sabe nada!” Afinal, o que é “não saber nada” na educação? Bem, vamos ao fato, encanto ou literatura… Você decide! A surdez de um aluno (ou minha?) era como uma barreira intransponível para que a informação se transformasse em conhecimento, por isso a primeira unidade foi terrível, porque o aluno não sabia a “minha língua”, o aluno não falava “a minha língua”, o aluno não aprendia “a minha língua”.  E desde quando “a minha língua” tem que ser falada por todos?
A ficha caiu: da mesma forma que eu olhava as limitações de alguém, colocava em evidência as minhas também.  E isso só foi possível graças a atenção dos alunos da classe para com o colega, incluindo-o em todas as atividades desenvolvidas.  Como? Através da exploração das habilidades artísticas do jovem, cada proposta é respondida com muita precisão e arte.  E uma pesquisa, por exemplo, era “transformada” em  cartaz com auxílio  de tintas, pinceis e muita criatividade.

Educar é transformar-se diariamente, quem não se modifica perante as limitações do outro, provavelmente, falta alguma coisa, talvez, a lapidação.  A turma do 3ª.BM  tinha mais uma missão a cumprir.  Encenar a peça teatral “O santo e a porca” de Ariano Suassuna. E no dia da apresentação, mais uma surpresa! Quem estava no auditório  caracterizado de Santo Antônio?  Um “santo” muito feliz e orgulhoso por ser abraçado de verdade e de forma pública. Isso é inclusão!
Que gesto bonito! Incluir é abraçar, aceitar o outro sem rótulo. E durante todo o percurso desse ano letivo alguns estudantes vem me ensinando a ensinar.   Voltando a peça teatral, no final da apresentação, muita aplaudida, por sinal,  uma colega de sala pede ao auditório lotado aplausos exclusivamente para um colega que mesmo com  limitações,   cumpriu muito bem o papel a ele destinado.  Um estudante visto  como   “surdo”, mas para seus colegas e amigos ele tem nome e sobrenome.  Acho que no fundo, aquele linda homenagem e  aplausos chegaram  até o coração do jovem, pois seus olhos brilhavam… Sim, ele ouviu toda a manifestação da plateia, porque todos ouvem, sentem e extasiam quando são abraços.
Às vezes, achamos que já aprendemos muito, mas abraço é ação  prática de difícil de execução.  E com os alunos do 3º.  BM do Colégio Estadual Lauro Farani percebo a luta para tornar a vida de “D” mais fácil, para não deixá-lo do outro da porta, mesmo estando na sala. Porque abraçar os iguais,  coligados que falam a mesma língua é fácil, mas abraçar o diferente (longe das câmeras) é gesto nobre de poucos. E essa turma sabe fazer isso com muita propriedade, e o melhor, agora ensinando para o mundo através do nosso toque poético.
Parabéns, meus queridos!
                                        E. Amorim

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Pôr-do-sol


Era para ser o primeiro
Mas foi o último encontro
Você se foi como o sol
Lentamente, sumiu entre as nuvens.
Ficou o olhar
Incrédulo.
Sem explicação.



Partiu sem olhar para trás.
Deixando no céu
Seu nome gravado
Enquanto na terra
Alma errante
Chora de  saudade
Enquanto o sol se esconde
Em meu coração.

E. Amorim


segunda-feira, 31 de julho de 2017

A ponte que caiu no rio...(Iaçu, 59 anos)



O povo nordestino
Entrega a Deus cada passo
Deixa o Pai guiar o destino
Desfaz com sabedoria todo laço
É guerreiro  feito bicho valente
Teme morrer quando a rasga-mortalha solta um pio...
Mas se diverte com a ponte que caiu no rio...
             
                          II

Tudo começou  de repente
Ninguém podia imaginar
Que no Rio Paraguaçu  da serpente
Um trem iria despencar.
Década de 80, pessoal
Vagões  desembestados saem a mil...
E param na ponte que caiu no rio.

                         III

Saia da frente  que lá vai o trem!
Misto ou Mochilão?
Correndo feito louco outro vem
Sem se importar com a contramão.
Na ponte férrea se encontram
E barulho causou arrepio,
Na ponte que caiu no rio...
                  
                     IV

O trem desgovernado
Sem freio nem direção
Parece que foi arte de algum pecado
Um anjo arteiro destravou o freio de mão...
A tragédia era certa
O medo causava arrepio
Até na  ponte que caiu no rio.
                     V
Carregado de mercadorias
Os vagões se arrebentaram
Foi a atração daquele dia
Disputar os produtos que se espalharam
E todo o povo se reuniu
Na ponte que caiu no rio.

                     V
Um novo cartão postal
Nasceu naquele dezembro
Um tanto surreal
Mas de tudo eu me lembro.
Metade da ponte ficou de pé
Outra metade sumiu...
Da ponte que caiu no rio.
               
                    VI

Agora temos no  lugar
A ponte quase invisível
Se você quiser visitar
Conhecerá um local incrível.
Diferente com certeza
Digno de grande elogio.
É a nossa ponte que caiu no rio!

                 VII



Onde a ponte  caiu...
Mora a serpente do paraguaçu
No rio?
Isso é lenda de Iaçu.
Então a ponte não sumiu?
Não era primeiro de abril...
Quando a ponte caiu no rio.
*



                        E. Amorim


* imagens do facebook. 

agosto é mês de aniversário da cidade de Iaçu, mas você ganha o presente conhecendo as peculiaridades do local.





sábado, 22 de julho de 2017

Olhos no retrovisor ( book trailer)



                                       Na raça, vontade, coragem e uma fé gigante no DEUS que me fortalece... meu livro sobre educação está chegando! Desmontagem total! Mais uma produção independente.
                         Se possível compartilhe, comente, critique, mas faça algo pela nossa literatura marginal, 

domingo, 16 de julho de 2017

Deus é o protagonista! ( mensagem)


Quando o nosso sonho é ser feliz, todo o resto não passa disso: resto. Sabe por quê? Toda a honra, glória, vitória é dada a Deus. Ele é o protagonista da minha vida, sem Ele não existe cenário  a ser descrito. E com Ele vivo o meu milagre diariamente, sendo mais que vencedora.
Para seremos  felizes não devemos  abrir mão da ética, do respeito ao próximo, da paz e da consciência limpa de que hoje foi  alimentado muito mais o espírito que a carne. Quando alimentamos mais a carne, prendemo-nos no mundo das vaidades, achando-nos cheios de direitos, importâncias, coroas e títulos, consequentemente, vazios de solidariedade, justiça, amor, fraternidade...  E cada vez mais eu tenho a certeza de que a bênção reservada para cada de um de nós chega sem extravio nem atraso. O tempo de Deus é infalível e inexplicável.  E o cuidado que Ele tem  para com os seus é surpreendente.
Assistindo a  cena da novela “O rico e Lázaro”  na qual os três jovens hebreus são jogados na fornalha e são protegidos pelo Espírito Santo, foi arrepiante.  Mas esse é o Deus que eu creio. Se Ele quiser nos tirar da fornalha Ele retira e saímos ilesos como os três jovens saíram,  mas se não quiser, continuaremos no fogo e somos queimados vivos.  Porque os inimigos não dão trégua, se não encontram uma brecha aqui, criam as próprias leis ali para que os outros as cumpram. Que motivo os jovens tinham para serem mortos no fogo? 
Há incrédulos que dizem: - como pode entrar numa fornalha e não se queimar?  Vejo a fornalha como representação de problema maior, seja uma doença grave, uma morte, um acidente...  e podemos sim, passarmos por essas “fornalhas” e sairmos sem arranhão. Há poucos dias um carro caiu numa ribanceira e escapa apenas uma criança que passou a noite gelada sozinha... é possível? O Deus é do impossível. A criança ao ser resgada afirmou que não teve medo porque dois amiguinhos fizeram companhia a noite toda... Deus é assim, levanta seus anjos para guerrear por nós. Um avião caiu matando todo um time de futebol... ei! Há alguns sobreviventes... Como?! Deus no comando de algumas vidas! Não há ciência que explique, porque isso só acontece quando Deus quer.
Desde que decidir deixar Deus atuar em minha vida como personagem principal, não tem espaço para o antagonismo, por isso sou muito mais feliz.  Não corro atrás de bênçãos, elas chegam de fininho de direções mais inesperadas.  E se por acaso não chegarem, porque sei que não eram para mim. O que Deus reservou para mim ou você, chegará em nossas mãos.  Não se lamente, nem murmure, tudo tem seu tempo. Aprenda a ter um coração grato  porque  “todas as coisas acontecem e cooperam para o bem de quem ama a Deus”.   

Como protagonista da minha vida,  usa-me, Senhor!  Continue em cena... atuando e mostrando o teu agir.  DEUS é  como uma torre forte que protege os seus ou  um farol que ilumina todos a sua volta, mesmo  a distância o seu brilho é notável. 
  Elisabeth Amorim

domingo, 9 de julho de 2017

Carta ao Pai

*

Oi, Pai!

Desculpe-me a intimidade, mas a situação exige que eu escreva, pensei em Ti. Aliás, tu fazes parte da minha história, não tem como não pensar... Escrever não é uma tarefa difícil para mim, eu e as letras somos íntimas, gostaria que essa intimidade fosse transmitida também para os meus leitores,  mas tudo bem.  Vamos ao que interessa? Interrompo o teu silêncio para orar, agradecer o quanto tu és fiel... ensina-me também essa fidelidade, meu Pai.
Primeiro eu quero te agradecer, agradecer muito pela segunda chance que Tu me deste. Estava na beira de um poço, sentindo algumas mãos (in)visíveis que me empurravam para a abertura, sabia meu Pai  que se eu caísse, não conseguiria me levantar, sem a tua ajuda.  Queria e precisava ser forte, na verdade toda a força não estava em mim, mas em Ti. Tu me ouviste e me deste em dobro o que queria. Como tu és fiel!
Hoje, sei exatamente como conseguir passar pelo fogo, como enfrentei leões famintos sem ser devorada viva.  Os mistérios da vida, os propósitos que tu planejaste não há explicação. O teu poder nenhuma ciência foi capaz de explicar, nenhum homem é inteligente o bastante para justificar o injustificável pelas leis criadas por ele. Quantas vezes te pedir forças para vencer as batalhas terrenas? E como resposta vi o teu agir, a tua a ação de desfazer  cada nó,  desatando os laços dos passarinheiros, jogando por terra todas as ciladas dos inimigos.  Cuidando-me com o carinho de Pai.
Segundo, meu Pai  venho te pedir perdão. Perdão pelas falhas, inseguranças, pelos medos que tive antes de te conhecer. Quando o Senhor não passava de um ser distante, sabia da sua existência, mas não tinha coragem o bastante para te entregar a direção do meu barquinho. Talvez, achava-me tão pequena, insignificante que Tu não perderias teu precioso tempo comigo.  Coração enganador, sabias? Teu olhar se estende para todos e todas que te procuram.
E eu te procurei, Pai! Como tu mesmo disseste “Bata e a porta se abrirá, procura e achará”, na minha busca eu Te encontrei. Encontrar-se com o Pai é como encerrar a caminhada no deserto e passar a trilhar pelos “campos de águas cristalinas”.  Sentar-se ao lado dos adversários e não ser atingido por nenhuma flecha.  É saber que mil poderão cair ao meu lado, mas não serei atingida, porque o meu Pai cuida de mim.
Autorizado por Tu, meu Pai, uma nova história começou quando fui adotada. Vitórias e bênçãos chegam até a minha tenda, porque Tu não deixas desviar o que tens reservados para cada um de nós. Às vezes cobramos a demora do teu agir, mas teu relógio não atrasa nem adiante nenhum segundo, mas cada coisa acontece no tempo que Tu, Pai, determinaste para cada um. Ensina-me confiar no teu tempo. Ensina-me descansar em Ti. Ensina-me ter um coração grato todos os dias.
                 Até qualquer dia, Pai.
Beijos,
                         Sua filha adotiva


                   Elisabeth Amorim


*imagem da web

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A mulher do presidente (conto)


Não sei o porquê as pessoas gostam de ficar penduradas nos ombros de quem tem poder.  Fico a imaginar se o meu esposo não tivesse  na presidência   será que alguém se lembraria dele?  Brasília foi apenas um detalhe...
Só que não sabem dosar e respeitar o espaço de intimidade. Se estou no jardim com Jus, logo aparece alguém a colar na gente.  É uma foto aqui, outra acolá. Se vamos viajar, mais pessoas a bordo e tiracolo.  Definitivamente, ele ganhou o poder mas perdemos juntos a nossa intimidade.
Tudo que faço vira manchete ou especulação. Não adianta eu falar que não sou candidata a nada. Minhas roupas, meu alimento, meu comportamento, o povo quer saber o que como, o que visto e o que sinto. Gente! Sou mulher, pelo menos tento me comportar como uma mulher de presidente: recatada e do lar.   
Mas não dar para aguentar  tanta gente babando em cima do meu esposo. Vou rodar a baiana qualquer hora. Sério. Vou gritar e expulsar esse povo que vive me cercando, quem quiser me conhecer que vá ao Memorial JK, ali eu dor todas as dicas de  modas.  Disponibilizo até os meus trajes de gala para quem quiser copiá-los.  Estou realmente de saco cheio, até que a gota que restara transbordou quando estávamos num momento de intimidade na porta do memorial e ela aparece:
- O  que você quer encostando em meu marido?!
- Eu? Por acaso está falando comigo?
A mulher se faz de desentendida, como pode? Vou ter que repetir os meus pensamentos:
- Sim! Você mesma! Saia já de perto do meu marido, antes que eu rode a baiana! Não estou gostando nada de você sentar no mesmo banco em que estamos sentados, não dá para escolher outro? Já disse que vou rodar a baiana se você não sair...
- Então rodamos juntas! Porque eu sou baiana! Quem vai me tirar daqui?
Acho que seria melhor  não ter exposto os meus pensamentos, mas só posso garantir,  caro leitor, que depois daquele dia, ficamos íntimas. A baiana atrevida deu uma passadinha no memorial para copiar alguns dos meus modelitos.  Mas, ficou só na observação, o estilo dela é outro.  Para quem disse que ser baiano é outro nível, tem razão, sabia? Depois que a conheci tudo que faço vira literatura!

                                Elisabeth Amorim

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim