Por que muitas pessoas não notam o outro quando o mesmo está caído? deprimido?Fico impressionada com as voltas que a vida dá, e cada vez mais tenho a certeza de que nada acontece por um acaso, como disse um grande amigo, o “universo conspira para que as ações positivas sejam multiplicadas”… Não tenha inveja de ninguém, seja você! O seu brilho aparece sem que você note, da mesma forma, as ações feias também deixam marcas.
Lembrei-me de um leitor assíduo num site que colaborei que a cada postagem, ele registrava “não gostei” ou então escrevia “só gostei do ponto final” mas não parava de me acompanhar. E um dia eu não estava bem, e quando a gente não está bem… sai de baixo com as provocações. Ao ler “cada dia você escreve pior”. Deixei a resposta mais ou menos assim: “Senhor, que bom que você não gosta de meus textos, mas não desiste da leitura… Mas acho que deveria procurar um médico, não é saudável ser seguidor de alguém que não gosta.”
Gente, o resultado dessa minha mensagem foi uma catástrofe! O homem ficou uma fera e fez uma sequência de ataques “ Carta para uma rainha” e “ Elisabeth não gosto de você!” entre outras coisas do gênero… Esperando uma outra reação, acho que ele nunca teve tantos leitores quanto aquele período, fazia o ataque e esperava a minha reação, coitado! Se ele disse que não gostava de mim, eu ia ler nada dele? Se eu não gosto, não passo nem perto, sabia que ele estava me atacando que ele ia na minha página e colocava lá o título do texto em minha homenagem, pensou que eu ira bloqueá-lo. O mundo tem tantas pedras naturais, que as artificiais a natureza se encarrega de levá-las para bem longe da gente. Pedra rola tão facilmente.
E ouvindo um depoimento de um professor Doutor em literatura sobre os obstáculos encontrados para chegar onde está, a reflexão bate: não é fácil ser um vencedor ou vencedora, é preciso quebrar muitas pedras. E quebrar pedras dá um trabalho enorme, é muito tempo, dedicação, suor, paciência… sem falar que nem toda pedra pode ser lapidada, quantas pedras brutas no nosso caminho!
Desde cedo, jovem mesmo, pensava que não podia mudar a história se não investisse numa mudança pessoal. Se eu não consigo mudar minhas práticas não posso esperar a mudança de um sistema bem maior que eu. E decidi fazer a diferença, e hoje vejo como meu amigo tem razão, Deus conspira a nosso favor. Ao ensinar não foi diferente, vi o livro didático de Língua Portuguesa com textos que não convence nem atrai leitor algum, era uma convivência árdua se não usasse a desmontagem literária. Estranheza no início, descrédito, pedras, foi preciso quebrar muitas pedras para conseguir o resultado da lapidação.
“Aquele leitor que me agredia devia ter descoberto que quebrar pedras só não basta, é preciso trabalhar na lapidação” Elisabeth Amorim
Hoje quando vejo escolas da rede municipal praticando a desmontagem literária, fico feliz. É a Literatura e a Semiótica juntinhas, tão coladinhas a ponto de andarem de mãos dadas na Praça dos Ferroviários, na cidade de Iaçu. Cidade da escritora e pesquisadora Elisabeth Amorim que desde sempre pesquisa A Desmontagem Literária na Educação Básica. Desmontar, desconstruir ao contrário do pensamento de muitos, não é destruir, mas multiplicar, abrir o leque para que a literatura se espalhe cada vez mais, e o melhor, com ajuda de novos leitores-autores. Ah, aquele leitor que me agredia devia ter descoberto que quebrar pedras só não basta, é preciso trabalhar na lapidação, não desistiu de mim, mas dele mesmo, cansou de me provocar sem retorno, deixou o site.
"Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!
Quem vai ao Bonfim, minha nêga,
Nunca mais quer voltar
Muita sorte teve,
Muita sorte tem,
Muita sorte terá.
Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá! ..." (Dorival Caymmi)
Banco dos Velhos - Praça dos Ferroviários - Iaçu -Bahia BR
Todas as noites um grupo de senhores se reuniam naquela
Praça, conhecida como Praça dos Ferroviários. E ali os mais diversos temas eram
discutidos, variavam entre futebol, mulher e política. Todos sabiam que aquele
banco tinha dono, com todas as letras “Banco dos Velhos”.
Como espécie de ritual, um se achegava, esperava o outro e
mais outros. Quando um demorava logo o celular era usado, a reunião no “Banco
dos Velhos” acontecia.E não é que a
pequenina cidade Iaçu, os velhos aumentaram? Não se sabe quem, mas de repente, do lado daquele banco, um outro banco
apareceu. Ficou estanho dois bancos, um juntinho do outro como se fossem dois
namorados.
De repente, um disse que o outro disse que havia um vírus lá
longe... Agora, além do futebol, mulher, política entrou mais um assunto na roda
de conversa, o tal vírus que está atacando os velhos. E os vídeos humorísticos
com o tal do corona iam sendo circulados, talvez, com aquele desejo oculto de tudo
não passar de uma piada de mau-gosto. Não foi. Sorrateiramente, o vírus,
conhecido como COVID 19 chegou naquela pequenina cidade. A pandemia que
assolava o mundo não tem cabresto, nem tem freio, nem muito menos ideologia
política ou religiosa. Devastando sonhos, o vírus corre o mundo desenfreado.
Isolamento social, máscaras, álcool em gel, quarentena são
usados para tentar impedir a entrada no vírus. Os velhos correram da Praça dos
Ferroviários, e o vírus inicialmente, ganhou um apelido “caça-velho”, isso porque achavam que o
alvo eram os idosos. Ah, quanto engano! Ele não faz seleção antes de atacar,
ninguém está imune, sejam novos ou velhos, gordos ou magros, adultos ou
crianças. Escolas fechadas, crianças escondidas, silêncio, muitos silêncios nas
ruas.Mas de todos os silêncios, o mais
gritante é olhar para o “Banco dos Velhos”.