sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A vida explode em mim. (poesia)


Qual é a melhor idade?
Quando criança  brincava
Com brinquedos que nunca tive
Entre bonecas e panelinhas
Que nas vitrines ficavam.
 Desfrutava dos palitos e pedrinhas
Conversava com formiguinhas...
Do pega-pega não privava
Pular corda não era coisa de academia
Fazia parte da fantasia
Anelzinho, dado e amarelinha
E nas catingas de rodas
“Eu sou pobre, pobre, pobre...”
“O cravo brigou com a rosa...”
“Atirei o pau no gato”
Ó infância!  Por foste embora assim?
Não percebeste que em todos os momentos.
A vida explodia em mim.



A adolescência chegou...
Quantas transformações!
No corpo e na alma.
Agora entre os livros e paqueras
A brincadeira mudou.
Não tinha mais cantigas de rodas
Não inventava mais brinquedos.
E numa folha em branco me acalmava.
Os medos, as sombras, a dor
Eram aos poucos sendo transformados
Vida, literatura, amor.
E quando achava que chegara o fim...
Que loucura!
A vida explodia em mim.



Cresço.
Amadureço
Luto
Venço.
Se apanhei?
Se chorei?
Se cair?
Levantei.
Segui viçosa 
como flor de jardim.
Doidinha, eu?
Sim, pela vida
que explode em mim.
                              
               Elisabeth Amorim






quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Por que matou Zik? (crônica)


Qual é mesmo a diferença entre autor e personagem criada por ele?  É muito comum o leitor, telespectador incorporar  a vida de uma personagem de tal maneira a ponto de  sentir a dor e até reagir contra o autor ou ator causador daquele sentimento.  E a ficção  torna-se realidade inventada, porém, questionada.
Numa dessas conversas informais entre o meu lado escritora e leitores mirins, geralmente a pergunta que não se cala na boca dos pequeninos: “ – Tia Beth,  por que a senhora matou Zik?” Caro leitor, vale lembrar que o “Zik” é  um dos protagonistas do infantil “Zik e Moka: dois sapinhos diferentes”. um sapinho inofensivo, cadeirante, e muito legal que passa por algumas exclusões antes de ser atropelado por um pavão numa faixa de pedestre. Lembrando também, que o infantil é de autoria de Elisabeth Amorim, não da “tia Beth”.
Resolvi entrar no clima da criançada, fui preparada para responder. Dessa vez as crianças não vão me encostar contra a parede. Não vou assumir uma culpa que não é minha. Por acaso eu tenho cara de pavão? Vocês filmaram eu matando Zik?  Alguém anotou a placa do meu carro na hora do acidente?
Chega o momento crucial. Crianças à bordo, perguntas sorteadas, mais uma vez rio antecipando o prazer da minha resposta... Com certeza seria a pergunta que todas as crianças leitoras do infantil fazem. Eis a bomba:
- Escritora, nós sabemos que não foi a senhora que matou Zik, mas quem matou foi um pavão, personagem criado pela senhora. A  minha pergunta é ...  Quem é o pavão na nossa sociedade?
 Tia Beth engasgou... Mas, a escritora que habita nela, por alguns segundos se vê naquela criança, sorrindo, responde  com uma outra pergunta, dessa vez provocando riso geral:
“_ Por que  não corri atrás do pavão para pedir a identidade?”
 Brincadeira à parte, claro que a pergunta foi respondida com precisão e descontração para atender o público ouvinte.  A criança estava certíssima e ela fez exatamente o que eu fazia quando tinha a mesma idade, e que todos leitores deveriam fazer.    
E para você, quem a Cinderela na sociedade atual? Gata Borralheira? Branca de Neve?  Quem é o Pinóquio? Quem é o Ali Babá e os quarenta... terminou o intervalo, fim de papo infantil.
Estudantes do Centro Educacional A Dinâmica


                                    Elisabeth Amorim




sábado, 21 de outubro de 2017

sábado, 14 de outubro de 2017

Simplesmente, professora...


*

Sou muito feliz, não porque esperei a felicidade bater à minha porta, mas porque nunca aceitei alimentar tristeza, decepção e desesperança.    E  se algo me desagrada, aborrece, vou eliminando-o  da listra de prioridades,  tenho que pensar naquilo que  gera esperança,  o ser humano nasceu para ser feliz. E acredito  e invisto nesta teoria.
 Não vou dizer que sou feliz porque sou professora,  professor é profissão como outra qualquer.  Tem seus encantos e desencantos, mas se eu fosse médica, gari,  advogada, zeladora ou desempenhasse  outra profissão, acredito que ainda assim, escolheria a felicidade,  Sou feliz porque não aceito da vida menos que a felicidade. Sou feliz porque não deixo o mal invadir meu ser, Deus é minha fonte inesgotável de prazer , alegria, satisfação, bebo dessa  fonte todos os dias;
Sou feliz porque Deus me ama de forma incondicional. No meio de uma multidão   Ele me notou com meus defeitos e qualidades. Tocou-me de forma especial.  E onde estiver, elevo meus olhos para o alto e agradeço a Deus pelo abraço.  Enquanto estiver no exercício da função darei o meu melhor, por isso, sou  abençoada por Ele todos os dias. . Porque sem Ele nada sou, com Ele simplesmente, professora, escritora, pesquisadora,  crítica cultural, contista, cronista,  poetisa ... mulher plena!
                             E. Amorim

 * foto do arquivo pessoal do blog toque poético.









sábado, 7 de outubro de 2017

Um par de botas (crônica)

Vicent Van Gogh, Um par de botas, 1885
Não sei, talvez, era um sonho bobo. Mas alimentava-o diariamente.  Influência da televisão nova que chegara em sua casa. Ela ocupara a sala principal, enquanto todos  paravam para admirá-la, Simba nem era notada como gente.  A TV era pequena, mas mandona, dela que vinha a ordem diariamente: – Consumir! Imitar! Adorar!
Hipnotizados obedecíamos e continuamos fiéis a ela. E no calor da juventude, a mocinha negra e pobre ficava a invejar as artistas  maquiadas, unhas grandes e bem pintadas,  roupas extravagantes, com certeza, um luxo bem distante do orçamento das  admiradoras.  Simba era o seu nome, se tinha outro, ela não revelava. Apenas os colegas de escola sabiam que Simboline era nome de gente. Gente? Será?
Desde o dia que Simba viu sua atriz predileta usando botas, ficou a imaginar um par de botas nas suas longas e finas pernas.  Simba não acreditava em Papai Noel nem   coelhinho de páscoa. Seu pai era um ajudante de pedreiro,  o único saco que carregava nas costas era de cimento, e não era vermelho… Não! Nem adiantava pensar em quebrar o cofrinho, as poucas moedas não cobririam o valor das botas desejadas.
Num dia como outro qualquer, a sua mãe, catadora de papelão, chega da rua com várias sacolas de roupas usadas e numa delas, encontrava-se um par de botas. Não era exatamente como Simba sonhava, mas botas eram botas!  Com um pouquinho de graxa, limpeza, aquelas botas velhas poderiam durar mais um pouco. Simba comemorou. Sabia que aquelas botas eram a realização do sonho. E ficou ansiosa, circulando a mãe:
_ Mãe, a senhora trouxe essas botas para mim?
A mãe de Simba parecia refletir sobre o que fazer com aquele material, olha para os pés da jovem, em seguida olha os próprios pés, confere o tamanho… Não! As botas dançavam nos pés.  Dona Chica estica os braços, meio contrariada,  passa as botas para Simba.  No mesmo instante o sorriso iluminou o rosto lindo de Simba. Os dentes pareciam mais alvos de felicidade. Foi correndo para o seu quartinho, onde dividia com sua irmã Marta. De forma frenética, limpa-as removendo toda a sujeira de algum porão… Calça as botas reluzentes e pela primeira vez sentiu que era uma artista. As botas de salto alto, cor preta, cano longo deram um destaque as pernas finas de Simba.
Enquanto Simba andava de lá para cá, no seu “toc, toc, toc…” Marta chega da rua,  olha invejosamente para Simba. E pergunta irritada:
_ Por que você está  usando  essas botas? Quem te emprestou?
Simba não conteve a felicidade  e responde com os olhos brilhantes:
– A bota é minha! Nossa mãe ganhou na rua e como não serviu para ela…  me deu. Não é linda? Agora estou parecendo uma artista da televisão…
Marta nada responde e vai ao encontro da mãe. E sem aviso prévio diz irritada:
_ Mãe, cadê a bota que a senhora trouxe para mim?
A mãe em silêncio olha à sua filha predileta. Marta insiste:
-Mãe, eu quero aquelas botas que Simba está usando! Aquelas botas são para mim!
Simba acompanhou tudo de perto, volta correndo para o seu quarto. A mãe sem dizer uma palavra, vai atrás de Simba. Encontra-a sentada na cama, chorando convulsivamente, ao mesmo tempo em que se desfazia do seu sonho. A mãe ajuda-a com um puxão mais firme e sai do quarto com um par de botas nas mãos.
Elisabeth Amorim*

* Leitor, estou em busca de parcerias para publicação, caso você conheça alguém que se interesse, por gentileza, indique meus textos para análise.  Agradeço. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Lançamento do livro "Olhos no retrovisor"



 
Último dia 24  às 9h,  numa das salas do anexo da Primeira Igreja Batista em Iaçu, ocorreu o lançamento do  livro “Olhos no retrovisor” de autoria de Elisabeth Amorim.  
O lançamento foi organizado pela M.C.A. (Mulher  Cristã em Ação) com um delicioso café da manhã sob a liderança de Cássia e Nildeci e um momento literário com a participação  especial de Lucas Amorim. O evento fez  parte de uma das  ações desenvolvidas pelas mulheres cristãs para  o mês de setembro, referente ao mês da Mulher Cristã Batista.
“Olhos no retrovisor” é mais uma contribuição da autora que transformou em contos alguns fatos educacionais ocorridos durante a sua infância e adolescência. Claro, criativa como ela,  acontecimentos banais ganharam um toque poético e pitadinhas de humor, consequentemente,  marcaram um período da história da educação. O que é a educação sem o toque poético de cada um?
Educação tradicional, histórias de si, fantasias, aventuras de adolescente e muita criatividade aparecem nas narrativas dessa professora que simplesmente manteve os “olhos no retrovisor” para falar de uma representação si enquanto estudante da educação básica.
O livro é uma contribuição  para a  literatura/ educação, afinal  os contos ficcionais mostram  fatos de uma época, consequentemente revelam a cultura de um lugar com os avanços ocorridos na educação. Lembrando que a autora baiana é contista e defende uma literatura livre e  criativa.  Há quem  abrace “Olhos no retrovisor” como   sociologia educacional. Fazer o quê? Faz parte da grande e arrojada da proposta da autora, disseminar a literatura de tal forma a ponto de confundir o leitor. E quem sabe assim, levantar mais e mais leitores e divulgadores do seu trabalho.
Como disse a autora, “quem conta um conto… é CONTISTA!”
LEIA! CRITIQUE! Dê o seu TOQUE POÉTICO!
É literatura nossa!     É literatura, nossa?!
É literatura! Nossa!!!          É literatura? Nossa!
É…literatura nossa.
Não importa  o ponto, mas a  nossa literatura.  Saia do ponto e venha abraçar o que é nosso.
                                                         

sábado, 9 de setembro de 2017

Que nunca te falte amor... ( mensagem)

                               


Não adianta falar todas as línguas, conhecer as mais variadas ciências, dominar as mais sofisticadas técnicas e esvaziar-se do sentimento mais nobre: amor.  O amor é a bússola que indicará o melhor caminho navegável. O que somos quando perdemos o melhor que há em nós?
Longe de falar da relação homem X mulher, não  estou pensando no amor carnal que atiça a memória, eriça os pelos, acelera os batimentos cardíacos, deixo-o para os poetas com suas penas mágicas. Mas, falo do amor próprio que tem tudo  a ver com a dignidade, autoestima, respeito... o que nos motiva a levantar todas as manhãs, mesmo com uma carga pesada sobre os ombros é acreditarmos que o nosso hoje será bem melhor que o ontem. Acredutar só não basta! Nós temos que fazer a hora, modificar e escrever a nossa história. 
 Temos em nós uma força capaz de modificar qualquer diagnóstico, qualquer profecia, praga ou seja lá as setas que venham em nossa direção. Levantar para viver! Viver de pé para receber cada novo dia, cada estrela no céu, cada abraço amigo. A vida nos espera de braços abertos, será que somos capazes de abrir os braços para recebê-la bem?
Amar é viver intensamente cada momento!   Que nunca te falte o amor... Viva cada minuto. Ame-se mais e mais.  Se você não se valorizar não dará nenhum motivo para ser valorizado pelo próximo.  A vida é um pouco estranha, se você optar ficar no chão,  nos primeiros dias os amigos, parentes tentarão tirá-lo desse lugar, com o tempo as pessoas cansarão de tentar ajudar e acostumarão com a sua presença lá no baixo. Sem falar que os inimigos querem te ver assim, fazem festa com a sua dor. E o pior, você também poderá gostar de ser visto numa condição inferior. Você não é inferior! Você não é incapaz! Você não é menor!  Não se acostume com a lamentação, mas com as bênçãos que chegam em sua vida. 
Se cair, levante-se rapidamente,  e corra para abrir a porta, pois o amor pede passagem. Pois se você pode gritar, comemorar, sorrir, chorar, dançar, correr, você tem tudo para ser feliz...lembre-se de pessoas que não tiveram essa oportunidade, desconhecem a palavra "felicidade",  há muitas pessoas neste mundo que não tiveram uma segunda chance. Pense nisto e que nunca te falte amor...
                                                  
                                                   E. Amorim


*foto de  Kevin Carter, menino agonizando ( imagem dura, mas apenas ilustrativa)



Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim