quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Pavão Vaidoso ( infantil)



No jardim do restaurante
De repente chegou
Uma ave elegante
Que a todos encantou.


Gostava  de chamar a atenção
Se exibia a  valer
Estou falando do pavão
E a ciumeira foi de doer.


O pavão era vaidoso
Andava para lá e para cá
Olhava o reflexo no lago
Não parava de  admirar-se.


O dono do restaurante
Tinha gato, galinha, peru
macaco, porco e... minha gente!
O homem criava até  tatu.


A presença do pavão
Incomodou a bicharada
Logo fizeram uma reunião
Para acertar as contas com o camarada.


O macaco muito esperto
Liderou a reunião
Disse que o pavão não estava certo
Em querer atrair para si toda a atenção.


Então ficou decidido  assim:
Cada animal tinha a sua vez
Só ficaria no jardim
No momento de agradar o freguês.


A vaidade do pavão
Não deixou ele concordar
Era  o macaco ir para o salão.
Ele o seguia para sua beleza mostrar.


Macaco é animal esperto.
Uma vingança prometeu
No momento certo.
O Pavão Vaidoso sua cauda perdeu.


O pavão mesmo sem o belo “look”
Não desistiu de se exibir
Postou uma foto no facebook
Para o povão curtir. 


                                                      Elisabeth Amorim

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TAMAR e o choro das tartarugas (conto)

 
O que temos hoje na aula prática que faz parte do Projeto Tamar?  – Pais e mães sem filhos. Filhos sem pais nem mães.  Irmãos que foram tirados do convívio familiar por conta da brutalidade humana, uma ação manifestada pelo prazer de caçar,  matar, prazer em destruir a natureza. E assim caminha a humanidade… em círculo, nadando contra a maré alta.  E quanto as minhas irmãs tartaruguinhas? Presas a uma rede sem fio, ou talvez com fios em excesso, enfeitando as paredes de um museu qualquer.
Ainda ouço o choro das tartarugas, debatendo-se num vã tentativa de escaparem. Quem escapa da fúria humana?  Talvez, as nossas lágrimas se misturam, tem hora que nem sei realmente se quem chora sou eu com a minha sede de viver ou o bichinho órfão que mora em mim, talvez, choro  pelas  lágrimas  desumanas.  A dor tem essa capacidade, sabia? Tornar-me insensível ou sensível ao extremo, comigo a segunda opção se faz presente neste momento. E a pergunta não se cala: onde errei?

Escritora revisitando o projeto TAMAR

Praia do Forte/ Mata de São João , Bahia, Br

Poderia ser uma tarde como qualquer outra. A praia, o mar, o sol eram nossos. Íamos desfrutar à vontade se não fossem aquelas redes… Homens espalharam redes no nosso ambiente natural. Cadê o respeito ao meio ambiente? Vocês não imaginam a quantidade de tartaruguinhas  presas… contorcendo, esperneando, gritando, chorando… até que o soluço ficou fraquinho, doído, sumido. Ouvido apenas pelo Tamar.
Para que serve o casco de um fiapo de vida como a minha? Escapei por pouco, talvez por ser a menorzinha do grupo,  os fios da rede não conseguiram me prender,  mas parece que os homens perceberam que  restam ainda algumas tartaruguinhas,  e pelo prazer da caça vivem a nossa procura. Que mal represento para alguém? Eles não  entendem que só estou cumprindo etapas, não vivo como antes, aliás deixei de ser livre há muito tempo. Eu sou de atravessar os mares, vivia a chocar-me contra os azulejos do tanque, achava tudo tão pequeno, mesquinho, até o dia que encontrei tantas companheiras enterradas na areia, eu tenho vida, e elas? Perderam tudo. Chorei bastante.
 
Decidi que enquanto viver não serei mais um adorno de alguma barraca na beira da praia. Não importa o lugar onde se vive, mas como se vive faz a diferença. O homem pode morar num palácio e se comportar como um ser irracional, e um sem teto poderá ter um comportamento  nobre.  São escolhas.  Eu escolhi viver bem, não importa o lugar nem o  entorno.
Pode me chamar de sonhadora, chorona, idealista, mas me contento em ser uma tartaruga marinha que não aceita a extinção da espécie e só em saber que existe quem pensa igual, já me sinto revigorada. Ouvia daqui e  dali que vinha um certo Tamar resolver a nossa situação. Quem era esse Tamar? Logo pensei numa tartaruga robusta e destemida, cruzadora dos mares. Só tinha uma certeza, se Tamar estava disposto a salvar a nossa espécie, já tinha uma fã. Não queria nem saber a sua cara, apaixonei-me pela obra que viria a ser feita por ele.
Tamar veio, pelo menos na nossa Praia do Forte, foi em 1982. Cara, e não é que o Tamar é um museu arrojado! Eu pensando em casamento e Tamar  na preservação e multiplicação da espécie. Que casal perfeito! Os tanques não são como os mares, mas tudo tem o seu preço. Até a liberdade custa caro, sabia? Nossa liberdade é vigiada. Mesmo com um monte de gente olhando, eu com a ajuda de Tamar já produzir bastante. Na verdade, Tamar ficou na dele, mas trouxe  outras tartarugas marinhas… e fizemos valer o “crescei e multiplicai”.
 
E se hoje o meu choro é de felicidade, graças ao Tamar. Toda vez que observo as fotos dos meus parentes mortos, fico triste. E penso  que apesar de tantas coisas ruins que empobrecem o meio ambiente, a Petrobrás abraçou o Tamar, casamento perfeito.  E foi desse abraço que escapei da rede. Porque muitos bichos continuam soltos à nossa procura. Só que esses predadores esqueceram que não merecemos  morrer na praia, pois somos ótimas nadadoras.  E olhe que  a nossa Praia é do Forte, não é mesmo, Tamar?
Elisabeth Amorim

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Meio ambiente


Chega de poluição!
Estou com sede
Sinto fome de alimento
Natural sem agrotóxicos
Quero um mundo sem fumaça,
Desmatamento e coisa e tal
Pois ainda impera o mal
Destruindo a nação.


O ar do meio ambiente
Não precisa me sufocar...
A água que resta para gente
Chega contra a corrente.
O  tão rachado chão ...
Sem jeito para plantação.
O que resta fazer
Se não houver preservação?
Arar, chorar, lamentar.


               O  meio ambiente precisa de proteção.
Chega de queimadas!
Chega de desmatamento!
Chega de poluição!
O planeta terra pede socorro.
Se o desrespeito continuar,
                Nem água restará

Crer para ver (mensagem)

*

Muitos precisam  “ver para crer”... Será necessário presenciar as tragédias para acreditar que o mundo está cada vez mais violento? Aliás, as pessoas estão transformando o mundo num campo de guerra, onde falta o básico: amor.
Mas o que é mesmo o amor? Por onde ele se esconde quando assistimos atônitos tantas tragédias acontecendo? Dizem que o amor é cego, portanto nada ver... Que frase mais boba, quem acha que o “cego” nada ver está mais precisando rever conceitos. Porque há vários estágios da cegueira, mas vou me deter na cegueira espiritual, a que comanda todas as demais.  E hoje vamos enxergar pelos olhos da fé.
Pensando numa situação bíblica, quando Jesus Cristo curou um cego de nascença ( João: 9) resolveu a situação do cego, mas criou alguns problemas para si mesmo.  Primeiro porque um gesto de amor nem sempre é entendido pelo olhar de outros, há sempre alguém disposto a buscar uma “razão”  nada nobre para diminuir a ação.  Não foi por acaso que Jesus foi acusado de transgredir as leis, ao realizar milagres ao sábado, nem por acaso acusá-lo que querer o trono do rei.  E tem situações que não adianta discutir, argumentar, pois impera o jargão “ o ver para crer”.
E o que vemos e o que cremos? Os olhos estão habituados a  registrar o que lhes convém. Em se tratando da espiritualidade, a frase de efeito não funciona.  Não adianta percorrer os becos ou templos a espera de encontrar-se com o Criador e quem sabe assim, tirar uma self para postagem no seu facebook como prova documental da sua presença.  Acho que sua busca será em vão... A presença do sobrenatural acontece pelos olhos da fé.  Aproximar ou distanciar é questão de opção.  Quando você acredita, você sente o agir dele, a mão, o toque, o amparo...mesmo que o abismo se apresenta. É uma relação íntima e intransferível.
Deixem propagar que o amor é cego, você é o guia, aliás é a ponte que apresenta outra direção. Direcione o seu amor para as coisas boas, faça a diferença, aprenda olhar primeiro com o coração, depois com a visão. O que tocar o seu coração, você notará, enxergará, mesmo que nenhuma outra pessoa tenha visto. E isso é o amor. Amar a vida, amar ao próximo, crer que a bondade prevalecerá, o amor falará mais alto que  o ódio, a intolerância e preconceito.  Creia  que a Luz está em você, portanto não tente ser trevas, brilhe mesmo que algumas pessoas não notem,  nem se preocupe, deixem elas no estágio de “ver para crer”, porque quem realmente gosta de ti não precisa te ver para perceber o seu valor...Seja ponte sempre!


                                E. Amorim

*Sidney ( imagem da web)

domingo, 4 de junho de 2017

O grito silencioso


Até quando temos que conviver com o bullying? Crianças e jovens sendo torturados por conta da cor da pele, cabelo crespo, religião, comportamento,  roupas inadequadas... O que é adequado para um poderá não servir de padrão para outro. Educação começa em casa. Não podemos deixar toda a responsabilidade por conta da instituição escola. Pai, mãe, avô, irmão, tio, sobrinho... bullying não tem graça!
Estamos fazendo vídeos, cartazes e  palestras com profissionais da área para tentar conter uma nova geração que corre atrás de "baleia azul", "pokémon" e esquece de preservar o bem mais precioso... a vida.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Basta um! ( mensagem)

*

Às vezes achamos que a quantidade é que faz a diferença, seja nas curtidas nas redes sociais, nos comentários, nas relações de amizades,  no final do dia o resultado da somatória para muitos faz a diferença.  Fizemos isso, aquilo, corremos para lá e para cá, lemos, ensinamos, aprendemos como se tivesse uma sequência lógica as ações. De repente, as ordens mudam,  aprendemos sem ler nada escrito, apenas nas entrelinhas, no olhar, no toque, porque para nós o importante não é a soma de um mais um, porém, muitas coisas não se explicam, nem precisa da operação somatória, basta um.
Basta uma pessoa começar a fazer a diferença que todo o seu entorno vai sendo modificado lentamente. Inicialmente, esse um poderá não ser entendido, poderá ser discriminando, mas com o tempo esse um se firma e afirma no seu local de atuação. E muitos outros  também se levantam para o bem comum. 
Não precisamos de vários heróis, basta um. Cristo foi e continua sendo o  grande herói da humanidade pela sua  história de luta e coragem. Defender uma ideia para o  bem da humanidade não é nada fácil, nem todos pensam nos outros e quem pensa, poderá ser punido.  Jesus Cristo não deixou nada escrito, não teve facebook com milhares de curtidas, nem blogs, não precisou somar os amigos, pois para ser amigo de Cristo teria de “negar a si mesmo e segui-lo”. Será que o mundo de hoje pessoas estão dispostas a tal sacrifício? O nome dele é constantemente lembrado em diferentes situações, mas seus atos são copiados? Basta um ato de amor para que a mudança ocorra.
Basta um, sabia? Um político honesto para corrigir esse país. Um país melhor para que possamos viver em paz, sem o bicho do desemprego rondando algumas portas, com uma assistência médica equilibrada. Basta um equilíbrio nessa balança tão injusta com os pesos  desiguais, onde negros, pobres, mulheres, nordestinos, índios, gays são violentados constantemente. “Sou mulher, quero respeito!” isso só não basta, porque querer é diferente de ter. Ter nesse país não é conjugado no presente do indicativo, porque eu e tu nem sempre temos...   Nós nem sempre temos o respeito que queremos.
Basta um se levantar para a fila inteira acompanhá-lo para começar vaiar ou aplaudir. Basta um para abraçar ou repelir. Basta um para fazer a diferença, e a vida segue o seu curso. Não espere que o número um seja seu vizinho, amigo ou seu pai.  Faça você mesmo a sua parte, seja o primeiro a protestar, gritar, criticar, elogiar, vaiar, aplaudir, repudiar, transformar ... a vida é sua, se você não fizer nada para deixá-la mais produtiva as horas passarão do mesmo jeito. Mas quando você faz algo importante, a sua existência é mais significativa para alguém e para si mesmo. Eu? Presente!

                                     
                                         Elisabeth Amorim

*escritora E. Amorim em Brasília, 2017.

sábado, 27 de maio de 2017

Laranja Falante ( conto desmontado)

                             


Naquele pomar público tinha uma laranjeira que chamava atenção.  Diferente das demais árvores frutíferas, a laranjeira era a mais visitada, mesmo carregada de espinhos, os transeuntes não conseguiam ficar longe daqueles saborosos frutos. As pessoas usavam o pomar para as caminhadas diárias, as laranjas gostavam de ser úteis.
  Em período de São João cada morador almejava levar um cesto de laranjas para casa, mas pensando no bem comum, uma lei foi criada para preservação do pomar: poderiam desfrutar de qualquer fruta, mas era proibido levar para casa.  Ninguém sabia que uma laranja daquele pomar nasceu diferente, ela conversava com a sua mãe laranjeira,  mãe e filha dialogavam e se entendiam muito bem a língua das laranjas. E a Laranja falante já ouviu tanta coisa podre...
A Laranja sapeca como sua mãe costumava chamá-la estava inquieta, pois  com a proximidade das festas juninas,  pessoas "fora da lei" apareciam e descumpriam o escrito.   Laranja Falante percebeu a presença de intrusos no pomar, e de imediato ela dá o alerta para sua mãe Laranjeira:
- Mamãe, está percebendo aqueles homens de gravatas andando por aqui?
- Sim, filhinha! O que será que eles querem? Não vieram fazer caminhada, pois olhe para as roupas inadequadas...
- Não sei... Mas vou ficar atenta para saber quem são...
- Fique mesmo.  Não se mostre muito, pois toda vez que vem levar meus filhos eu escondo você entre os espinhos... Se te levarem, com que conversarei?
- Tomarei cuidado,  mamãe.
E os homens se aproximaram da laranjeira, olha aqui e olha acolá. E de repente um fala:
- Dizem que  as laranjas desse pé são as mais saborosas do mundo... O povo  da região faz questão de parar aqui para saboreá-la.
E o outro homem de gravata, responde sorrindo:
- Já pensou essa laranjeira no nosso congresso?  As visitas iriam triplicar... e nós seríamos beneficiados.
- Então vamos arrancá-la daqui.  Agora será nossa a laranjeira mais doce do mundo. Deve ser verdade, mesmo... não fica uma laranja nela, todos querem prová-la.
_Companheiros, essa laranjeira é do povo! Não podemos arrancá-la.
- Bem está vendo que o nosso companheiro calouro não sabe que do povo somos representantes legítimos... se é do povo é nosso!
- Quando esse pomar tiver vazio, iremos mandar arrancar essa laranjeira.  Ela tem que ser nossa... Vamos deixar escurecer... agora vamos saindo para ninguém desconfiar da gente.
Os homens de gravata saíram, Laranjeira e Laranja Falante ficaram preocupadas.  O quê fazer? Não tinha  jeito, esperar anoitecer para ser transportada... Agora os furtos seriam apenas daqueles homens.
 Assim que os homens saíram, com menos de trinta minutos um deles volta sozinho. E aproxima-se de Laranjeira e diz:
-Eles pensam que sou besta? Não vou deixar escurecer. Já dei ordem para fechar o pomar para visitação e agora essa laranjeira será só minha. Vou levar para minha fazenda.
Laranjeira e Laranja Falante ficaram apavoradas. Ir para o congresso era uma coisa, porque  lá era um local público, mas ir para a fazenda de um deles... era demais. Laranjeira disse para sua filha:
-Filha, agora é hora de agir!  Mostre o quanto você é sapeca...
Laranja Falante que estava escondida, começa a se balançar na frente do homem de gravata. Na hora ele agarrou-a e começou a descascá-la, finalmente iria comprovar se a laranja era doce mesmo. Só que Laranja Falante antes dele terminar a sua ação, escapuliu da mão e saiu rolando...  O homem de gravata só de pensar no lucro que teria com aquela laranjeira ficou maluco correndo atrás da laranja ladeira abaixo, que para ele a fruta tinha  pernas, braços, olhos. Quanto mais ele tentava correr, mas Laranja Falante desaparecia dançando no meio do pomar... E nessa corrida o homem de gravata se choca com outro companheiro de gravata que teve a mesma ideia que ele.
Entre Insultos, delações, brigas e murros  nem perceberam que anoiteceu e novos homens de gravatas chegaram. Alguns disfarçados com máscaras, provavelmente com ideias mirabolantes   para se apropriarem indevidamente da laranjeira.  Enquanto o bate-boca e acusações continuam, Laranja Falante dá uma volta no pomar e retorna para perto da sua mãe:
-Mãe, quem são aqueles homens? Por que brigam tanto para ficar conosco?
A mãe sorrindo responde:
-Filha, não é por causa da gente que eles brigam. Mas do lucro que proporcionaremos a eles.
-E agora, o que faremos? Se eles arrancarem a gente daqui...  
-Apodreceremos nas mãos deles, minha filha. Apodreceremos. 
-Mamãe, podres não serviremos para nada...eles vão nos matar?
-Filha, um bem público ao se tornar privado ilegalmente, perde a serventia e já está morto.. 






Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim