domingo, 17 de janeiro de 2016

Quando te conheci (poema)

Elisabeth Amorim/2016


Quando te conheci
Algo mudou em mim
Não posso dizer que foi amor,
Loucura... Paixão?
Foi mais que tudo isso
É encontrar o que se procura
E sentir-se livre mesmo  numa prisão.
É correr na chuva e não se molhar
Por ter certeza da sua proteção.

Quando te conheci
Percebi  temeroso que seria assim
Quem escapa  das garras do destino?
És a flor que faltava em meu jardim.
Numa das curvas da estrada
Esbarramos outra vez
E a vontade de fugir
Ficou à beira do caminho.

Quando te conheci
O tempo parou para mim
Vivemos o nosso instante
Cada tropeço do caminho
Percebia que não estava sozinho
Para sempre serás lembrada
És a minha doce amada
Desde o dia que te conheci.


                                              (Copiada do G+)


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mundo Colorido ( crônica)


Mês de férias na capital baiana, de repente vejo-me no  Salvador Shopping* e fico com olhos compridos  para aquela infinidade de bolinhas coloridas e as crianças pulando naquela piscina, desapareciam naquele mundo da fantasia e retornavam sorrindo.  Por que eu não estava lá? Por que tive que crescer tão rápido pulando algumas etapas?
Ficava olhando e flutuando também, disfarçava a minha ansiedade diante daquelas bolinhas coloridas. Ninguém iria entender se eu deixasse a minha criança acordar... Mas olhava as bolinhas vermelhas, amarelas, azuis, verdes, laranjas, lilás... Quem mandou colocar aquela piscina de bolinhas no meio do meu caminho? Meu caminho não era comum essa infinidade de cores... Eu pintava a minha tela e muito cedo aprendi a colorir também a minha vida, apesar da pouca quantidade de tintas disponíveis.
E um duelo se criou desleal e desumano. Era apenas  uma pobre mortal e do outro lado um amontoado de bolinhas coloridas. Bolinhas que brilhavam nos olhos de cada criança adormecida e faziam acordá-la rapidinho.  As bolinhas convidavam-me para aquele mergulho não dado.
Qual é o tempo certo para diversão? Em que momento a felicidade bate à porta? Como um robozinho  desço cada degrau, não quis a moderna escada rolante.  A escada era muito rápida, não daria tempo desfrutar cada passo dado. E aquele momento era só meu. Parecia que atravessava a passarela, olhares infantis  me acompanhavam todos os passos até a fila que havia formado para compra de ingresso. Não me incomodei com a quantidade de pessoas prontas para serem atendidas,  via apenas eu e meu sonho.   O atendente me pergunta espichando o pescoço tentando descobrir para quem eu estava servindo de acompanhante...
_Qual o nome e idade da criança?!
_ Criança não tem idade!
Pago e sigo intrépida diante de novos olhares assustados.  Jogo-me por inteira naquele mundo colorido e sou tragada por aquelas bolinhas, enquanto a garotinha que me acompanhava sorria a valer. 

                                       Elisabeth Amorim/ 2016

 *grande shopping center da cidade de Salvador - Bahia


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A Borboleta Com Uma Asa Só ( infantil)

borboleta de uma asa só
Era primavera, as flores e os pássaros faziam a festa nos verdes campos. Numa folhinha caída, está Siriana, uma borboleta que nasceu com apenas uma asa. Uma linda asa transparente, mas a falta da outra asa, deixava a Borboleta Com Uma Asa Só  bem triste.  Ela vivia os poucos dias de vida em busca de uma explicação para o seu  problema físico.
O Grilo, médico das borboletas, ao examiná-la não encontrou a solução para o problema, porém  sugeriu que ela começasse a pular de um lado para o outro, pois o exercício físico poderia ajudar no nascimento da asa.  Siriana atendeu a recomendação médica, porém  o máximo que conseguiu foi se cansar, porque a asa não nasceu.
E cada bichinho que conhecia Siriana  deixava uma sugestão. A Mosca sugeriu um passeio nos locais sujos, contato com bactérias,  pois a  falta de higiene poderia nascer a asa que estava faltando.
Siriana mergulhou numa lama, foi para o lixão, mas não nasceu asa nenhuma, pegou foi uma infecção e  um odor horrível. Precisou se cuidar e tomar um banho. De imediato o Louva-deus que estava passando no local, também interferiu.  Sabe o que ele sugeriu?
Para o Louva-deus o problema de Siriana não era físico mas psicológico.  Resolveria com muita meditação. E indicou-lhe um galho seco de árvore  e pediu para ela ficar lá o dia todo meditando que a asa nasceria.
Mais uma vez Siriana obedeceu, contemplou  a natureza  o dia todo. Depois de horas  de exposição ao sol, ganhou uma insolação e quase morre desidratada, precisou beber muito líquido para se recuperar.
A Lesma que estava na folha ao lado,  percebeu que Siriana não tinha vontade própria, resolveu também palpitar para tirar vantagem, já pensando  pedi-la para carregar a sua casa um pouquinho nas costas, pois o esforço físico nasceria a outra asa, nem que para isso ela teria que cortar um pouco a asa…  Só que nesse momento a Esperança interfere:
_Siriana, você já percebeu que  quase perde a sua linda asa?
Siriana responde, assustada com a interrupção da Esperança:
_É verdade. Mas você acha  linda a minha única asa ? E você Esperança que sugestão tem para mim?
Esperança sorriu e respondeu:
_ Ora, por que eu teria alguma?  Você tem uma asa linda, transparente no escuro. Você é a borboleta mais linda que já conheci. Em vez de você buscar o impossível por que não cuide de preservar o que já tem?
A Borboleta Com Uma Asa Só sorriu pela primeira vez, nunca havia pensando assim. Entusiasmada com o elogio da Esperança, disse:
_Verdade, nunca havia pensado nisso. Mas e o meu voo?
Dessa vez quem sorrir é Esperança e responde:
– Você poderá atravessar mares através da sua imaginação. A vida é tão curtinha para ficar presa a problemas menores que se agigantam quando os agarramos. Borboleta, viva o seu momento. Feche os olhos e voe! Deixe o colorido entrar na sua vida!
Siriana fechou os olhos e sentiu pela primeira vez a primavera dentro do seu coração. Mesmo que alguém apontasse  seu defeito, sentia-se linda e capaz de voar cada vez mais alto.
E voou.
                                        Elisabeth Amorim/2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A lição do pequeno príncipe ( mensagem)



Às vezes lutamos para sermos compreendidos.  Queremos do outro os aplausos, o reconhecimento, a gratidão... Será que nessa busca desenfreada pelo olhar do outro sobre nós nos lembramos de  que precisamos também compreender? Será que a vida que construímos merece algum aplauso? E ainda mais uma questão crucial, somos gratos pelas vitórias conquistadas?
Já ouvi algumas pessoas falarem que a única coisa boa que tem no livro de  Antoine  de Saint – Exupéry, lançado desde 1943 e ainda hoje continua inspirando-nos e promovendo mais uma reflexão se resume nesta frase: “ tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” De imediato, paro e penso, acho que não lemos o mesmo livro.
Pois pela minha lógica, talvez, desmontada, pois sou fã da literatura, não importa se é marginal ou clássica, leio não apenas com os olhos,  mas com o coração também. E todas as literaturas  lidas aprendo várias lições.  E nessa “única coisa boa” apontada,  eu vejo  bem além. Cativar é um dos verbos de ação mais difícil. Cativar é não é apenas olhar, mas enxergar o não visível. Tocar-se com a alegria ou a dor do outro.  Cativar é amar. É ser solidário com o outro. Compartilhar. Ser cúmplice numa boa ação.  Nós só nos responsabilizamos pelas pessoas que nós amamos. Apesar de Cristo ensinar a amar os inimigos,  acredito que não chegamos nesse estágio ainda. Quem sabe um dia?
Quando o pequenino fez o seu desenho e ninguém entendia,  não abraçava nem acertava a direção que ele queria chegar... é mais uma lição de vida. Quantos  rabiscos são incompreendidos aos olhos alheios, mas cativados pelos nossos amigos? Quantas ações que tomamos e quebramos a cara?  E quantas vezes  o abraço surge de onde se menos espera? De uma raposa qualquer tão carente de abraço quanto nós, humanos, racionais, inteligentes...
Talvez a minha defesa esteja equivocada pela minha relação com as letras, porém não consigo ficar indiferente diante do diálogo entre a flor e o pequeno príncipe. Um diálogo, talvez imperceptível para alguns leitores, mas para mim, poético e animador.  Por quê?
Porque na  vida  muitos buscam o reconhecimento, ser cativado,  todavia   se esquecem de cativar. Muitos querem a vitória sem no entanto passar pelas lutas, pela trajetória percorrida pelo vencedor. E que tal começar o dia, mês, ano pensando e agindo diferente?   Ah, sabe o que disse a pequena flor?
“ É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas.”
Lindo, não? Olhamos apenas para as borboletas, a suavidade do voo e não  refletimos o quanto foi difícil lançar-se no espaço. E quantos foram cativados ao longo do caminho, afinal, fica mais essa lição: “ amar não é olhar um para o outro, mas olhar juntos  na mesma direção”.
Essa é a minha forma de agradecer a parceria em 2015, por seguir-me sem às vezes saber a direção tomada, porém juntinhos estamos divulgando a literatura. Paz e um beijo em seu coração.

                                          Elisabeth Amorim

domingo, 10 de janeiro de 2016

e o tempo levou... (poema)


O tempo ou o vento levou?
Quem  apagou a paixão?
O tempo camufla  por trás das horas.
Os ponteiros  param  com o vento.
E voltam lentamente à memória
As batidas de um coração.
Descompassadas com o tempo.


Cada abraço apertado,
Corpos entrelaçados no chão
 numa aliança muda
Cega,
Inválida.
Tudo posto de lado
Por conta da  ambição.


Queria o céu com as estrelas
O mar com os peixinhos
Toda a riqueza da terra
Acumulada aos seus pés
Era tudo ou nada?
Viveu o céu e inferno,
Optou ficar sozinho.


O tempo levou...
 Seu cheiro de jasmim,
 Saudade passou.
Até o vento varreu o  amor
Esquecido naquele banco de jardim.


Agora o vento voltou,
Que fazes em minha porta?
 Insistes em trazer  de volta
A alegria das horas
O sorriso de outrora
A esperança  de um novo dia
Com toda a fantasia
Que o tempo  levou...


E  se o tempo aparecer?
Mando o vento soprá-lo para longe de mim
Hoje é meu presente.
 E  o verbo é viver!
Viver, viver, viver sem fim.

                                                            Amorim


sábado, 9 de janeiro de 2016

Amor poético




Vejo-me  pensando em ti
Um amor bandido
Traído,
Perdido.
Que grita em silêncio
Marcando cada tempo
Em que estamos separados.
Um amor
Que deixou a seu sinal
Irracional,
Final.
Amor que o tempo não desfaz
Sempre me apraz
Este amor poético.


E.Amorim

Família (poesia)



A família unida
É uma bênção de Deus
Pode o mundo dizer não
A família em comunhão
Ri, chora, luta ao seu lado bravamente
E como uma  corrente
Prende a sua mão.

Você tropeça mas não cai,
Porque  não está sozinho
A sua família abençoada
Abraçou a causa com carinho...

Quando a dúvida surgir
Que direção tomar?
Lembre-se da família
Bendito seja o seu lar.

E. Amorim

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim