domingo, 11 de outubro de 2015

Tubarão Mau-Mau (infantil)

                                                                                     Elisabeth Amorim

*

Sou  Tubarão Mau-mau
Não consigo amigo encontrar
Por conta da minha fama
Que ataco sem pensar
 O banhista desavisado
Ignora as placas  para se afastar.
 

A Segurança Pública  informa
Esse mar é perigoso
Não entre na água, tome cuidado!
Não acabe com o seu gozo
Tubarão Mau-mau  está na área
Seu ataque é venenoso.

Mesmo com todos os alertas
Teimosinho e Vacilão
Turistas com bolsos cheios
Mas com pouca imaginação
Caem na água destemidos
Pois só pensam em curtição.
 

Teimosinho dá apenas um mergulho
Atrás dele, Vacilão
Estavam sendo observados
Por Mau-mau, o tubarão
Não leram as placas de advertência...
Será que não gostam de proteção?

 

Vou afastar esses bobinhos
Antes que a minha família tubarão
Venha fazer um banquete
Antecipando o São João
Darei apenas uma mordida
Naquela  saborosa mão.

A mordidinha da fera

É algo arrasador
Vacilão perdeu o braço
E de dor desmaiou.
Teimosinho se desespera.
A procura de um doutor.


 

Daquele dia em diante
Os dois aprenderam uma lição
Todas as placas devem ser lidas
Para não trafegarem na contramão.
Quem ignora as advertências
Não foge de uma colisão.


 
 “ Não pise na grama!”
 “Área de proteção!”
“Proibido fumar!”
“Cuidado! Tubarão!”
Quando todos obedecerem
Teremos mais saúde e educação!

                                                                  Elisabeth Amorim/2013

* imagem pessoal, ornamentação de uma barraca de praia em Aracaju/SE

sábado, 10 de outubro de 2015

Infância em fuga ( poesia)

Elisabeth Amorim

*


Onde está a nossa infância?
Deixe eu ser criança
Não me encha de atividades fúteis
Uma aliança ou  vingança?
Geração  computador
Não somos coisinhas inúteis.
Somos crianças!
Sou criança!
Quero ser a esperança.
Respeite a minha idade, por favor.

***
-Quero brincar com o meu cãozinho
Correr livremente  sem repreensão
Sujar a roupa, e daí?
Tocar o arco-íris
Fazer rabisco no chão
Andar feito  mula-sem-cabeça
Chocando-se aqui e ali
Fazer aviãozinho…
Zum…Zum…Zum…
Encontrar o sapato para o meu pezinho.
***
“Quem irá me socorrer?”
Estou em busca da infância
Saiu em fuga outra vez…
Você a viu passar por aí?
Vou contar:
-Um, dois, três…
                                                              * imagem da web


Bahia/2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Isabelle ( poesia)

Elisabeth Amorim



Toda criança feliz
 Onde chega é luz
Seu sorriso  nos seduz
E sempre pedimos bis.

Toda criança precisa ser amada
Ir para a escola e com amigos brincar
Conhecer na prática o verbo amar
Para sentir-se confortada.

Isabelle é uma florzinha
Que nasceu no meio do jardim
Como um anjo querubim
Linda como uma princesinha.

Oh, doce flor!
Seja sempre perfumada,
Protegida  e abençoada
Por Jesus, Nosso Senhor!


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12 de Outubro, Dia das Crianças!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Oração infantil

Elisabeth Amorim


Querido Papai do Céu,
Hoje eu me comportei  muito bem
Não briguei  com nenhuma outra criança
Nem  xinguei ninguém.
Fui uma criança boazinha
Então, Papai do céu
Será que posso te pedir um presente?
É um presente bem pequenininho...
É porque o Dia das Crianças, toda criança quer  brinquedo
Mas eu não quero, não!
É verdade, Papai do Céu.
No lugar do brinquedo, queria...
Queria que o mundo pudesse dormir em paz.
É... Paz, sabia?
Não deixe os homens ficarem brigando uns com os outros,
Não deixe não, Papai do Céu.
Eu não sei por que as pessoas grandes gostam  de confusão
Proteja a minha família,
Proteja meus irmãozinhos,
Proteja todo mundo, Papai do Céu
Todo o mundo, tá  me ouvindo?
Agora vou dormir, certo?
Não se esqueça...
Todo mundo precisa de paz.
Paz.
Amém.


Brincadeira infantil ( poesia)

Elisabeth Amorim
*


Não há tempo para cantiga de roda
Nem   o cravo  briguento  restou
Hoje os pais enfrentam uma grande prova
O filho e o seu parceiro computador.

Oh, que saudade da infância
 Da queima  de calorias
Onde a alegria tinha relevância
As crianças com frequência  sorriam.

A diversão está se transformando
Em obesidade  fatal
Enquanto os jogos de comando
Encarceram as crianças na batalha final.

A criança precisa  correr
 Ser feliz para comemorar
A brincadeira infantil numa área de lazer
“Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar...”




* Ivan Cruz, Brincando de roda. (disponível na web)

sábado, 3 de outubro de 2015

SEM CORRENTES


Sem correntes (soneto)

*

Quando fui açoitada por prazer
Tu zombaste da minha dor
Negou-me o direito de refazer
A minha vida que se despedaçou.



Primeiro insistiu em me mutilar
Quando o patrão se encantou por mim.
Para ele não ter o que apreciar
Em uma negra com cheiro de jasmim.


Quantas vezes me acorrentou despida?
Na doce ilusão de se vingar
Nem percebeu a   corrente rompida...


Meu espírito livre voou até o céu
Lá meu anjo sem preconceito de cor
Carrega-me no colo com amor.


                                                     Elisabeth Amorim

* Fabiano Rocha, Essência negra 2 -  

domingo, 27 de setembro de 2015

IBOTIRA (conto)


A MENINA  QUE ENGOLIA SONHOS

*



      Cada qual em sem canto sabe bem desfrutar os encantos.  Ibotira  era  uma garota de  14 anos,  filha adotiva de Sr. Honório e Dona Marta.  Ela não conhecera seus pais biológicos, mas  o casal  não a deixava  sentir falta de carinho, Ibotira era muito amada.
      Ibotira estudava o 9º. Ano do Ensino Fundamental com  a sua melhor amiga, Íris.   Íris não era popular quanto Ibotira, isso a deixava insegura e irritada.  Nos momentos mais inesperados, Íris atribuía a Ibotira características falsas e inusitadas. E uma das coisas que ela propagava em torno da amiga era o vício de “engolir sonhos”, na linguagem adolescente era “viver no mundo da lua”.   
     Ibotira percebia que as indiretas eram para esconder características próprias. Pois ela era extremamente ordeira, atenciosa e com personalidade forte, apesar da pouca idade, Ibotira sabia o que queria. Chega o momento das paqueras e a irritação de Íris aumenta. Cansada das agressões, Ibotira reclama:
     -Íris, você sabe o quanto gosto de ti, mas tudo que faço você critica.  Tem momentos que você age como uma inimiga feroz, você é ou não minha amiga?
     Íris  alfineta:
     _ Você é muito estranha, Ibotira.  Conheço um montão de garotas que falam mal de você  e qual a sua reação? Balança os ombros... Essas roupas não combinam contigo, acho você... Quem são os seus pais? Por que você não ficou com eles na mata?
     Ibotira olha com tristeza para a amiga. Ela sabia através das discriminações sofridas que muitas pessoas tem visão seletiva. E Irís não era diferente, só a enxergava nua no meio da mata, nunca na mesma escola que ela frequentava, tirando notas, às vezes mais altas em língua portuguesa, estudando e muito para ser aceita... Resolvera ali, dá uma lição sobre as diferentes culturas quem sabe assim a sua amiga perderia toda a carga ideológica sobre a cultura indígena.  
     _ Meus pais, meus avós não estão comigo, porque... Ah, deixe para lá, amiga, fala emocionada. Poucos entenderam a minha cultura. Acho que você tem razão... E como estranha, fico na minha “tribo”. Quando quiser juntar-se a nós...
      A separação foi traumática para Íris, logo ela percebera que era Ibotira que nutria o círculo de amizade.  Íris ia ficando cada dia mais solitária e intolerante.
      No próximo sábado era especial para as duas adolescentes, Ibotira  aproxima-se de Íris, na véspera e a convida para a sorveteria  a noite do dia seguinte. Íris aceitou de imediato, mas ao chegar em casa  mudou de ideia.  No  dia e horário combinados, vários adolescentes na sorveteria, algazarra geral,  Ibotira se preocupa com a ausência de Íris,  telefona várias vezes,  passa mensagem, sem resposta. Desiste e vai curtir com as amigas. 
     Na segunda-feira, no colégio, Íris evita olhar para Ibotira. Inteligente, Ibotira  respeitou o seu silêncio.  Quando Íris percebeu que  Ibotira não iria questionar a sua ausência proposital, disse:
     _Sinto muito se a deixei esperar no sábado. Mas tive um compromisso importante, esquecei completamente.  Não abrir a agenda. Quando você precisar sair comigo terá que me avisar com antecedência...
     Ibotira , depois de 4 anos de amizade, responde tranquilamente: 
     _Íris, pena que não olhou a  agenda...   E você vivia espalhando que eu engolia sonhos... Parabéns, 15 anos. Estamos de parabéns! Mas nem se preocupe, nos divertimos por você também.  
      _Nós?
      _Sim, a nossa turma foi para sorveteria, eram três aniversariantes na mesma data, não poderia passar em branco...Como você faltou, resolvi comprar esse presente para você! Retira da bolsa um belo pacote e passa para a amiga, abraça-a desejando-lhe “felicidades”  e sai silenciosamente.
     Constrangida, abre-o e encontra uma linda agenda, na capa uma índia completamente nua...Vermelha de vergonha, Íris lê a mensagem:

                      “Com carinho.
                  A menina  que engolia sonhos”
                                                                                      

                                                      Amorim




* NERIGHA, Índia com colar. (pintura em óleo, disponível na web)

Literatura de mainha 6 - Afirmação de identidades

 Mais um vídeo para você prestigiar.  Textos básicos; O sapo - Rubem Alves O sapo que não virou príncipe - Elisabeth Amorim